Precisamos dessa resposta para dizer que vivemos em uma democracia, diz viúva de Marielle

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A vereadora Mônica Benício (PSOL-RJ) – MAURO PIMENTEL/AFP

 

A vereadora Mônica Benício (PSOL-RJ), viúva de Marielle Franco, está ansiosa pelo início do julgamento dos mandantes do assassinato de sua esposa. “Precisamos dessa resposta para podermos dizer que vivemos em uma democracia”, afirmou à coluna nesta segunda-feira (23).

A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) começa a julgar nesta terça-feira (24) os acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes. Presos desde março de 2024, o ex-deputado Chiquinho Brazão, seu irmão Domingos Brazão, conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro), e o ex-chefe de Polícia Civil Rivaldo Barbosa são apontados como os responsáveis por planejar o crime.

“Não existe nada que conforte a dor de ter tido o futuro com alguém que se ama arrancado, então o nome para a sensação que temos agora não é conforto, sobretudo depois de tantas expectativas rompidas em um processo cheio de interferências, inclusive do chefe da Polícia Civil na época, Rivaldo Barbosa, agora acusado de ser mentor do assassinato. Mas chegamos a esse estágio com algum alívio”, diz.

Quase oito anos após a morte, Mônica diz sentir falta da companheira todos os dias. Ela afirma não ter perdido apenas a esposa, mas também a melhor amiga. “A pessoa com quem eu compartilhava a vida, a casa e os valores. As coisas pequenas são as que mais sinto saudade, como arrumar o quarto juntas pela manhã e conversar sobre as expectativas para o dia”, afirma.

A vereadora afirma que tem boa relação com a família e com a filha de Marielle e que o clima entre os parentes também é de expectativa pela condenação dos responsáveis pelo assassinato.

Mônica acredita que a companheira, enquanto defensora dos direitos humanos, estaria orgulhosa da luta de todos que pressionaram para que a Justiça resolvesse o caso.

“O caso da Mari mudou a forma de debater esse tipo de violência, apesar de não ter havido uma mudança estrutural. A morte deles deixou clara a relação entre política, polícia e milícia.”

Em seu segundo mandato na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Mônica ela afirma que a política não é pensada como uma carreira profissional — Mônica é arquiteta de formação. Apesar disso, há especulação sobre ela disputar as eleições de 2026 para o governo do Rio de Janeiro. Ela nega.

“Meu nome não está sendo discutido pelo partido. Acho que o Rio precisa de uma mudança radical, mas não serei eu. Foi a política ainda hoje complacente com a atuação das milícias que matou Marielle”, afirma.

Por Folha de São Paulo

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