PM e comparsa que mataram personal em Várzea Grande por dívida de R$ 25 mil vão a julgamento

O juiz Pierro de Faria Mendes, da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, determinou que o policial militar Raylton Duarte Mourão e seu comparsa, Vitor Hugo Oliveira da Silva, sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. A decisão, publicada hoje (10), mantém a prisão preventiva dos acusados pelo assassinato da personal trainer Rozeli da Costa Sousa Nunes, morta a tiros em setembro de 2025.
Na decisão de pronúncia, o magistrado rejeitou os pedidos de liberdade e ressaltou que a manutenção da custódia é necessária para garantir a ordem pública.
“Subsiste a conclusão de que a custódia preventiva constitui medida necessária à garantia da ordem pública, diante da gravidade concreta das condutas imputadas, evidenciada, sobretudo, pelo modus operandi, em princípio, empregado”, afirmou o juiz.
Raylton confessou ser o autor dos disparos, enquanto Vitor Hugo é apontado como o piloto da motocicleta utilizada na execução. O PM alegou que agiu sob forte emoção após supostas ameaças da vítima, mas a Justiça manteve as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa.
“Há demonstração suficiente da materialidade delitiva e indícios mínimos de autoria (…) os fatos serão encaminhados às instâncias competentes para a adoção das medidas legais cabíveis”, completou o magistrado.
Relembre o caso
A personal trainer Rozeli da Costa Sousa Nunes, de 33 anos, foi morta com seis tiros dentro de seu próprio carro no dia 11 de setembro de 2025, no bairro Canelas, em Várzea Grande. O crime ocorreu por volta das 6h20, no momento em que a vítima saía para trabalhar.
A investigação da Polícia Civil revelou que o assassinato foi motivado por uma disputa judicial de trânsito envolvendo um caminhão da empresa do policial militar. O valor da causa era de aproximadamente R$ 25 mil.
O crime foi considerado premeditado, com monitoramento prévio da rotina de Rozeli. Raylton se entregou dias após o crime e isentou sua esposa de participação, o que levou à revogação da prisão dela durante o inquérito.
O comparsa de Raylton, Vitor Hugo, também se apresentou à polícia dias após o crime. Em interrogatório na sede da DHPP, ele afirmou que o militar teria o chamado para uma “missão”, que seria para carpintar e que para isso Raylton teria antecipado a ele o valor de R$ 180.
Ainda segundo o depoimento, Vitor declarou que chegou a perceber que o policial militar iria cometer algo grave, mas que não conseguiu desistir da participação.
Indagado sobre horário da ação, cerca de 3h30, ele não soube responder. E, ao ser iquestionado sobre possibilidade de parar a moto e ir embora, Vitor disse temer pela vida. “Eu tinha, mas decidi seguir as ordens dele (policial militar), até por medo de morrer”, relatou à época.
Ambos permanece detidos e à disposição da Justiça.
Por Repórter MT




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