PF faz operação contra sócios e CEO da Fictor e menciona fraudes superiores a R$ 500 mi
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (25), uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal. Entre os alvos, estão sócios da Fictor, empresa que anunciou uma tentativa de compra do Banco Master, em novembro, na véspera do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ser preso pela primeira vez, de acordo com pessoas com conhecimento sobre a investigação.
Ainda segundo essas pessoas, um dos mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal de São Paulo no âmbito da operação Fallax é contra o CEO da empresa, Rafael Gois. Outro mira o ex-sócio da empresa Luiz Phillippe Rubini, que comandava o braço de investimentos do conglomerado, o Fictor Invest.
Os agentes estão cumprindo 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva em cidades dos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia.
O rombo para o banco público, objeto da atual operação, pode superar a cifra de R$ 500 milhões, segundo comunicado da PF. A autoridade policial ainda cita os crimes de estelionato e lavagem de dinheiro.
A Fictor não foi localizada pela Folha até a publicação desta reportagem. A agência de comunicação que atendia o grupo foi dispensada no início de fevereiro, quando o grupo entrou em recuperação judicial declarando dívidas acima de R$ 4,2 bilhões.
De acordo com as investigações, o grupo utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para alterar a origem dos recursos ilícitos. Para isso, dependiam do recrutamento de funcionários em outras instituições financeiras, que inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. “Posteriormente, os valores eram convertidos em bens de luxo e em criptoativos, com o intuito de dificultar o rastreamento”, diz comunicado da PF.
Durante a operação, a autoridade policial apreendeu valores em dinheiro vivo, relógios e aparelhos digitais, como tablets e smartphones.
A Fictor atuava em um modelo de captação de recursos a partir da emissão de contratos de SCP (Sociedade em Conta Participação), uma espécie de ação em sociedade oculta com menor regulação. Após o escândalo do Master, houve uma corrida para recuperar investimentos na Fictor. Com a recuperação judicial, os credores quirografários são os últimos na fila para receber seus débitos.
A situação é agravada pela operação envolvendo a empresa. A Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, de veículos e de ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões, com o objetivo de descapitalizar a organização criminosa.
Foram ainda autorizadas medidas cautelares para o rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas.
A PF investiga a atuação da organização criminosa desde 2024, quando identificou indícios de um esquema estruturado para a obtenção de vantagens ilícitas.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, de estelionato qualificado, de lavagem de dinheiro, de gestão fraudulenta, de corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional. As penas desses crimes podem ultrapassar 50 anos de reclusão.
Por Folha de São Paulo





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