Misoginia: violência digital contra mulheres cresce e expõe vítimas nas redes

A violência contra mulheres também se manifesta no ambiente virtual e tem crescido de forma alarmante no Brasil, impulsionada por práticas como exposição de imagens íntimas, ameaças e discursos de ódio nas redes sociais. Especialistas apontam que esse tipo de crime é uma extensão da violência de gênero já existente fora da internet.

Uma mulher, que prefere não se identificar, relata ter vivido esse tipo de situação após iniciar uma conversa com um homem pelas redes sociais.

“A gente se falava por algumas chamadas, teve troca de mensagens, como fotos, vídeos íntimos, tanto da minha parte como da dele. Foram em torno de trinta dias até ele me dizer que ia pra São Paulo e eu decidi, já que ele estava indo, cortar o vínculo”, contou.

Porém, ao decidir encerrar a relação, passou a ser ameaçada por uma terceira pessoa, que a acusava de interferir em um casamento.

“Eu comecei a receber mensagens de uma mulher, através do Facebook mesmo, fazendo ameaças, falando que eu tinha acabado com o casamento dela. Logo após esse período, mais ou menos umas duas semanas, ele me ligou e que acharia mais justo que a gente ficasse junto, uma coisa que pra mim não tinha lógica, até porque eu já estava com outra pessoa e ele não estava por aqui. Me falou que eu teria que depositar um valor de R$ 1.200, na época, para ele, que, no caso, é uma extorsão”, afirmou.

Mesmo após a vítima procurar ajuda policial, ele divulgou imagens íntimas dela para familiares do novo companheiro. O impacto foi duradouro e afetou diretamente a vida pessoal da vítima, que levou anos para retomar a convivência sem constrangimentos.

“Eu demorei muito tempo para poder voltar a conviver com a família do meu companheiro de uma forma que eu não me sentisse envergonhada”, explicou.

Posteriormente, ela descobriu que o perfil utilizado pelo suspeito nas redes sociais pertencia a uma pessoa já falecida, evidenciando o uso de identidade falsa para enganar e manipular. “Descobri que o perfil que ele utilizava na época para falar comigo era de uma pessoa que já tinha morrido há dois anos”.

Dados nacionais reforçam a dimensão do problema. Pesquisa do Data Senado indica que uma em cada dez mulheres brasileiras com mais de 16 anos sofreu algum tipo de violência digital em um período de 12 meses, o que representa cerca de 8,8 milhões de vítimas. Em muitos casos, os autores são parceiros, ex-parceiros ou pessoas próximas.

Organizações que atuam na defesa de direitos digitais também alertam para o aumento dos casos. Entre 2024 e 2025, houve crescimento de 200% nas denúncias relacionadas à misoginia online.

“A misogonia é um tipo de violência de gênero facilitada pela tecnologia. Então, você tem essa violência que é de incitação ao ódio, mas você tem outros tipos como, por exemplo, a exposição de imagens íntimas sem consentimento”, afirmou a diretora da Safernet Brasil, Juliana Andrade Cunha.

Levantamentos acadêmicos apontam ainda que comunidades digitais que disseminam ódio contra mulheres seguem ativas e em expansão. Em 2024, cerca de 90% dos canais identificados com esse tipo de conteúdo continuavam operando, reunindo milhões de seguidores.

Apesar do aumento dos casos, a legislação brasileira já prevê punições para diferentes tipos de crimes virtuais. A divulgação de imagens íntimas sem consentimento pode resultar em pena de até cinco anos de prisão. Já práticas como perseguição, conhecidas como stalking, passaram a ser crime em 2021, com penas que podem chegar a três anos, especialmente quando envolvem mulheres.

“É importante que ela preserve essa prova imediatamente, printando as imagens, printando as mensagens, mas também pode filmar através do seu próprio celular todas aquelas informações para que a gente possa tomar as medidas judiciais”, explicou a delegada Judá Marcondes .

A vítima que enfrentou a situação afirma que transformou a experiência em aprendizado dentro de casa. Hoje, busca ensinar aos filhos a importância do respeito às mulheres, na tentativa de evitar que novas situações de violência se repitam.

Por Primeira Página

Olá meu é Roberto Santos. Sou formado em Comunicação Social Jornalismo pela Universidade Federal de MT. Com mais de 10 anos de experiência. Trabalho com jornalismo comunitário e político. Ja trabalhei em canais como a Rede TV, Record e Band na cidade de Barra do Garças. Também para os sites Chocolate News e Semana7, bem como, nas Rádio Continental FM em Pontal do Araguaia e na Rádio Universitária FM em Aragarças GO. Em Sorriso trabalhei na antiga rádio Sorriso AM 700 ( Atual Sorriso FM) e no SBT Sorriso, minha última atuação na imprensa tradicional. Sempre trabalhei e vou continuar com foco em atender a população em geral e contribuir para o crescimento da cidade e do país. Atualmente sou proprietário do site Portal RBT News. Nasci em Fátima do Sul MS em 15 de setembro de 1981. è filhos de dona Tresinha Rosas da Silva e do seu Francisco Viana da Silva. Sou casado com Priscila Rapachi a quase 20 anos. juntos tivemos 04 filhos. Isaque, Larissa, Israelle e Israel. Dois de nossos filhos moram com o Senhor, Isaque e Israelle , estão nos braços do Pai.

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