O Brasil registrou 1.568 casos de feminicídio em 2025, o que representa uma média de uma mulher assassinada a cada cinco horas. Os dados fazem parte de um levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que analisou ocorrências envolvendo mulheres adultas em todo o país.
Entre os estados brasileiros, Mato Grosso aparece em posição de destaque negativo, ocupando o 3º lugar no ranking nacional de feminicídios, com 2,88 casos para cada 100 mil mulheres adultas.
O estado fica atrás apenas de Acre, que lidera o ranking com 3,37 casos por 100 mil mulheres, e de Rondônia, que ocupa a segunda posição com 3,17.
O levantamento também mostra que as regiões Norte e Centro-Oeste concentram as maiores taxas proporcionais desse tipo de crime, indicando maior risco relativo para mulheres que vivem nessas localidades.
Na outra ponta do ranking aparecem Amazonas, com taxa de 1,02, Ceará, com 1,10, e São Paulo, que registrou 1,26 caso por 100 mil mulheres adultas.
Apesar da taxa menor, São Paulo concentra o maior número absoluto de feminicídios no país, com 270 vítimas em 2025. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 177 casos, e Bahia, com 102 registros.
A região Sudeste lidera em números totais, somando 586 mortes de mulheres ao longo do ano. No entanto, proporcionalmente, é na região Norte que o risco de feminicídio é mais elevado.
Crescimento ao longo de dez anos
O feminicídio passou a ser tipificado como crime no Brasil em 2015, com a criação da Lei do Feminicídio. Naquele ano, foram contabilizados 449 casos.
Dez anos depois, em 2025, o número chegou a 1.568 registros, o que representa um aumento acumulado de cerca de 249%.
Mesmo com legislações importantes de proteção às mulheres, como a Lei Maria da Penha, e com o endurecimento das penas para esse tipo de crime — que atualmente podem chegar a 40 anos de prisão — os índices continuam elevados.
Outro dado preocupante é o crescimento da participação do feminicídio entre os homicídios de mulheres. Em 2015, esses crimes representavam 9,4% das mortes femininas. Já em 2025, passaram a corresponder a 41,2% dos casos, evidenciando que a violência de gênero segue sendo um dos principais desafios de segurança pública no país.
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