Matadouro em MT é fechado por falta de higiene e maus-tratos aos animais
A Justiça de Mato Grosso determinou, nessa terça-feira (31), a interdição imediata do Matadouro São Lourenço, em Porto Alegre do Norte (MT), após ação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que apontou graves irregularidades sanitárias, estruturais e operacionais no local, colocando em risco a saúde da população.
A decisão atende a um pedido do Ministério Público que investiga o funcionamento do estabelecimento desde 2023. Segundo o órgão, problemas foram identificados em diversas fiscalizações e continuaram mesmo após notificação para regularização.

Relatórios do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), da Vigilância Sanitária e do Serviço de Inspeção Municipal apontaram falta de higiene, estrutura deteriorada, equipamentos inadequados e ausência de controle sanitário eficiente.
Também foram identificadas falhas no armazenamento e transporte da carne, além da falta de responsável técnico e de documentação obrigatória.
Em uma vistoria realizada em março deste ano, fiscais encontraram um cenário considerado crítico, com infiltrações, resíduos orgânicos, além de sangue e fezes espalhados pelo ambiente. A câmara fria também apresentava condições precárias, o que pode comprometer a conservação dos alimentos.
De acordo com o MPMT, as irregularidades persistiram ao longo dos anos, mesmo após sucessivas notificações. Para o promotor de Justiça Brício Britzke, o matadouro operava de forma precária e sem garantir a segurança dos produtos oferecidos à população.
A investigação também apontou indícios de maus-tratos aos animais, com uso de métodos proibidos durante o abate.
Ao analisar o caso, a juíza Ana Carolina Pelicioni da Silva Volkers considerou que a continuidade das atividades representa risco atual à saúde pública, já que há possibilidade de contaminação dos produtos e impacto ambiental pelo descarte inadequado de resíduos.
Com a decisão, o matadouro está proibido de realizar qualquer atividade, incluindo abate, processamento, armazenamento e comercialização de produtos de origem animal. A Justiça também autorizou o uso de força policial, caso necessário, para garantir o cumprimento da ordem.
Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 5 mil.
O estabelecimento só poderá voltar a funcionar após comprovar a regularização de todas as irregularidades apontadas e mediante autorização judicial.
Por Primeira Página




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