Justiça bloqueia R$ 11,3 milhões de líderes de garimpo ilegal em Terra Indígena no interior de Mato Grosso

O Ministério Público Federal (MPF) obteve uma decisão liminar para o bloqueio de R$ 11,3 milhões em bens de cinco envolvidos em um esquema de mineração ilegal na Terra Indígena (TI) Sete de Setembro, localizada em Rondolândia, no noroeste de Mato Grosso.
A medida é um desdobramento da Operação Olhos Fechados, deflagrada em maio de 2025, e visa garantir a reparação dos danos ambientais causados pela extração clandestina de ouro e diamantes em plena floresta amazônica mato-grossense.
As investigações apontam que a estrutura criminosa era altamente organizada, contando com acampamentos fixos e motores de grande porte para sustentar a exploração por longos períodos. Um detalhe central do processo revela que quatro dos cinco líderes do esquema são indígenas que ocupavam posições de gestão em suas comunidades.
Eles são acusados de autorizar a entrada de garimpeiros externos mediante o pagamento de uma “taxa” de até 20% sobre o minério extraído ilegalmente, além de ameaçarem membros da própria etnia que tentavam combater a atividade.
Degradação e impacto ambiental em Mato Grosso
De acordo com laudos da Polícia Federal, a exploração criminosa em Rondolândia resultou no desmatamento de 27,29 hectares de vegetação nativa.
A degradação teve início em junho de 2022 e se estendeu até 2025, gerando impactos severos à biodiversidade e comprometendo o modo de vida tradicional das populações locais.
O valor bloqueado pela Justiça Federal corresponde ao cálculo mínimo do dano ambiental estimado pelo MPF, que busca a indenização integral ao fim do processo.
Os envolvidos agora respondem simultaneamente em duas esferas: na ação penal, pelos crimes de mineração ilegal e usurpação de bens da União, e na ação civil pública, que foca na reparação financeira.
O bloqueio solidário de bens assegura que o patrimônio dos réus permaneça indisponível até que a Justiça determine o destino final dos recursos para a recuperação da área degradada no território mato-grossense.
Por Cenário MT




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