Juíza investigada por beneficiar marido acusado de matar mulher tem afastamento prorrogado

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) prorrogou por mais 90 dias o afastamento da juíza Maria das Graças Gomes da Costa, da Vara da Infância e Juventude de Rondonópolis (MT). Ela é investigada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), suspeita de interferir no processo de guarda da filha de Leidiane Souza de Lima, morta em janeiro de 2023. O suspeito do crime é marido da magistrada.

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Investigada por suspeita de favorecer marido em processos, a magistrada Maria das Graças tem afastamento cautelar prorrogado pelo TJMT. – Foto: TJMT

O novo afastamento da juíza foi determinado no dia 24 de março e é válido até 21 de junho deste ano. Maria das Graças teve o primeiro afastamento cautelar determinado no dia 24 de dezembro de 2025, por um período de 3 meses.

O prazo se encerrou no dia 23 de março deste ano e os membros do Órgão Especial decidiram prorrogar enquanto perdurar a investigação da conduta da juíza, totalizando 180 dias.

Atualmente, os magistrados Antonio Bertalia Neto e Gabriella Andressa Moreira Dias de Oliveira, ambos do Núcleo de Atuação Estratégica (NAE) de Cuiabá, foram designados para substituir a magistrada na Vara da Infância e Juventude de Rondonópolis.

Primeira Página procurou as defesas de Maria das Graças e de Anternor Alberto para posicionamentos, mas não os encontrou até o fechamento dessa reportagem. Espaço segue aberto para manifestações.

Investigações por interferência

A sanção contra a juíza Maria das Graças tem relação com reclamação disciplinar apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Segundo o MP, a magistrada teria influenciado decisões judiciais em processos do seu interesse, inclusive em relação à guarda de uma menor, sua enteada, filha do companheiro, Antenor Alberto de Matos Salomão. Ele é considerado suspeito do feminicídio da bancária Leidiane Souza Lima, mãe da criança.

A representação narra que a juíza “nutria proximidade com uma conselheira tutelar” e teria repassado informações privilegiadas ao companheiro, com o objetivo de assegurar-lhe a guarda da filha da vítima.

Segundo o MP, a juíza teria inclusive ficado com a guarda da criança, chegando a fugir com ela para impedir o cumprimento de determinação judicial que concedeu a guarda à avó materna.

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Antenor Alberto no dia da primeira prisão, suspeito da morte de Leidiane. – Foto: Agora MT

O MPMT alega ainda que Antenor estaria com arma de fogo pertencente à magistrada durante o período em que permaneceu em prisão domiciliar no mesmo condomínio em que reside a juíza, e ela teria fornecido seu veículo para que ele violasse medida protetiva.

Existem ainda, conforme o órgão ministerial, registros telefônicos do réu a partir do número de telefone da magistrada logo após o crime, o que motivou o afastamento de suas funções e a adoção de medidas urgentes para localização da criança,com guarda em favor da avó materna, e a designação de magistrado externo para o caso.

“A conduta da magistrada revela indícios de violação aos deveres funcionais previstos na LOMAN, notadamente os relacionados à imparcialidade, decoro, integridade e dignidade da função judicial. A atuação da magistrada, ao assumir temporariamente a guarda da menor e permitir que seu esposo — parte diretamente interessada na disputa judicial — participasse ativamente de decisões e movimentações processuais envolvendo a criança, revela, em juízo preliminar, possível comprometimento de sua imparcialidade funcional e favorecimento indevido, o que se mostra, em tese, incompatível com o exercício isento da jurisdição”, diz trecho do documento que a afastou.

O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, acompanha o caso e, em dezembro do ano passado, chegou a determinar ao TJMT que prestasse esclarecimentos acerca do paradeiro da menor.

Na ocasião do afastamento, o CNJ pediu informações sobre providências concretas adotadas pela relatora do caso no TJMT, a desembargadora Nilza Maria, sobre o PAD. Também requereu informações da vida funcional da magistrada, além de registros de licenças, afastamentos e existência de outras sindicâncias.

Hoje a guarda provisória da filha de Leidiane foi concedida à avó materna.

Morte de Leidiane

Leidiane Souza Lima foi atingida por disparos de arma de fogo quando saía de casa para o trabalho, no dia 27 de janeiro de 2023, no bairro Parque São Jorge, em Rondonópolis. O suspeito estava em uma motocicleta sem placa. A vítima deixou três filhos, sendo uma menina de 15 anos, um menino de 11 anos e uma menina de 5 anos.

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Leidiane Souza Lima foi morta a tiros em 2023 quando saia para trabalhar. – Foto: Reprodução.

Quatro meses antes de ser assassinada, em 2022, Leidiane registrou um boletim de ocorrência relatando que foi agredida por Antenor Alberto de Matos Salomão.

Já em 6 de fevereiro de 2023, Antenor foi preso, suspeito de executar o crime, mas foi solto em 23 de março do mesmo ano por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e passou a cumprir medidas cautelares como monitoramento eletrônico.

Em 22 de agosto de 2025, a Justiça atendeu ao pedido do Ministério Público e determinou a prisão preventiva de Antenor. Segundo o MP, o suspeito utilizava “inúmeros artifícios” para adiar o término da instrução criminal.

Desde então, ele segue preso na Penitenciária Regional Major Eldo de Sá Corrêa, a Mata Grande, em Rondonópolis.

Relação com a magistrada

O caso teve mais repercussão pelo fato de Antenor ser companheiro da juíza Maria das Graças Gomes da Costa. Não foi a primeira vez que o nome dos dois esteve em evidência nos noticiários.

Em 2013, Maria das Graças acionou o TJMT pedindo proteção policial após o carro em que o casal estava ser alvo de um atirador. Na época, foi disponibilizada segurança pessoal para a servidora por meio da Polícia Militar.

Na época, a Polícia Civil acreditou que o alvo do atentado era o marido da magistrada, já que em 2012 ele havia sofrido outra tentativa de homicídio, na qual chegou a ser baleado duas vezes. O ataque ocorreu na tarde do dia 30 de outubro de 2012, nas proximidades do Rondon Plaza Shopping.

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Antenor Alberto de Matos Salomão sofreu atentado em 2012 próximo a Shopping em Rondonópolis. – Foto: Reprodução

Ele conduzia uma caminhonete quando foi surpreendido por dois homens que chegaram em um Gol que o estava perseguindo. Ao ter o veículo interceptado pelos suspeitos, Antenor ainda tentou fugir a pé, mas foi alvejado pelos atiradores que fugiram em seguida.

Em 2009 o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT), Francisco Faiad, pediu ao corregedor-geral do Tribunal de Justiça, desembargador Manoel Ornellas de Almeida, o afastamento urgente da juíza Maria das Graças Gomes da Costa.

Segundo Faiad, a magistrada mantinha em seu gabinete, no Fórum de Sinop, o seu companheiro, Antenor Alberto. Segundo a reclamação, Antenor promovia constrangimento a advogados, partes em processo e até mesmo a funcionários.

Por Primeira Página

Olá meu é Roberto Santos. Sou formado em Comunicação Social Jornalismo pela Universidade Federal de MT. Com mais de 10 anos de experiência. Trabalho com jornalismo comunitário e político. Ja trabalhei em canais como a Rede TV, Record e Band na cidade de Barra do Garças. Também para os sites Chocolate News e Semana7, bem como, nas Rádio Continental FM em Pontal do Araguaia e na Rádio Universitária FM em Aragarças GO. Em Sorriso trabalhei na antiga rádio Sorriso AM 700 ( Atual Sorriso FM) e no SBT Sorriso, minha última atuação na imprensa tradicional. Sempre trabalhei e vou continuar com foco em atender a população em geral e contribuir para o crescimento da cidade e do país. Atualmente sou proprietário do site Portal RBT News. Nasci em Fátima do Sul MS em 15 de setembro de 1981. è filhos de dona Tresinha Rosas da Silva e do seu Francisco Viana da Silva. Sou casado com Priscila Rapachi a quase 20 anos. juntos tivemos 04 filhos. Isaque, Larissa, Israelle e Israel. Dois de nossos filhos moram com o Senhor, Isaque e Israelle , estão nos braços do Pai.

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