Infecção generalizada matou criança após 7 atendimentos, atesta certidão
Com a emissão da certidão de óbito de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, a causa da morte dele foi uma insuficiência respiratória que ocorreu a partir de uma septicemia, provocada por artrite séptica.
O documento foi registrado nessa quarta-feira (8), após o menino passar por sete atendimentos médicos em Campo Grande.

Segundo o atestado, a causa imediata da morte foi insuficiência respiratória, ou seja, o menino não conseguiu respirar adequadamente nem fazer as trocas de oxigênio necessárias para o funcionamento do corpo. João Guilherme morreu à 1h05 do dia 7 de abril, na Santa Casa de Campo Grande.
Na prática, o que o documento indica que o menino sofreu uma cadeia de complicações:
- Entrada da bactéria – após a queda, pode ter surgido uma lesão que funcionou como “porta de entrada”, permitindo que bactérias entrassem no organismo;
- Infecção na articulação – essas bactérias podem ter chegado à corrente sanguínea e se alojado em uma articulação, causando a chamada artrite séptica, uma infecção grave com inflamação local.
- Disseminação pelo corpo – sem tratamento rápido, a infecção pode ter se espalhado pelo sangue, evoluindo para septicemia (infecção generalizada) e formando coágulos infectados que atingem órgãos;
- Comprometimento dos órgãos vitais – com a progressão do quadro, órgãos como os pulmões podem ser afetados, levando à insuficiência respiratória e, em casos graves, à morte.
Artrite séptica e septicemia
Para compreendermos o que é septicemia e artrite séptica, o Primeira Página ouviu especialistas em reumatologia que explicaram que a septicemia, também chamada de sepse, é uma infecção generalizada que se espalha pelo organismo por meio da corrente sanguínea.
No caso de João Guilherme, a infecção teve origem em uma artrite séptica, ou seja, uma infecção em uma articulação do corpo. Para o reumatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), José Eduardo Martinez, a artrite séptica é uma infecção causada por bactérias que se instalam em uma articulação.
Conforme o especialista, o problema pode começar a partir de uma “porta de entrada”, como uma infecção respiratória ou pela pele. A bactéria entra na corrente sanguínea, circula pelo organismo e pode se alojar em uma articulação, onde provoca inflamação.
Até esse estágio, o paciente pode apresentar sintomas gerais, que nem sempre indicam de imediato o problema articular. Em quadros mais graves, há sinais como febre alta e outras alterações no corpo, que exigem tratamento rápido, como comenta o reumatologista.
A reumatologista Veruska Atalla avalia que, no caso de João Guilherme, a infecção pode ter começado após a queda, com uma lesão que teria permitido a entrada de bactérias no organismo.
A partir deste estágio, o microrganismo pode ter atingido a articulação e evoluído para um quadro grave. A médica comenta que esse processo pode ter contribuído para a insuficiência respiratória que levou à morte do menino.
“Esse tipo de situação exige diagnóstico rápido, lavagem da articulação e uso imediato de antibióticos. Com a evolução, a bactéria pode se espalhar pelo sangue, causando septicemia e formando coágulos infectados que comprometem órgãos vitais, como os pulmões”, explica a reumatologista Veruska Atalla.
Investigação
O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), que analisa se houve falha ou omissão no atendimento médico prestado ao menino.
A DEPCA analisa os prontuários médicos para verificar se houve falha ou omissão nos atendimentos prestados ao menino.
Já o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) e o Conselho Municipal de Saúde também acompanham o caso para apurar possíveis responsabilidades dos profissionais e das unidades de saúde.
Em nota, a Sesau informou que o caso está sendo apurado com base nos registros médicos das unidades. A secretaria afirmou ainda que, se forem identificadas falhas ou desvios de conduta, as medidas cabíveis serão tomadas.
A morte foi registrada como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Por Primeira Página




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