Feijão com “pontinhos azuis”: Júri condena mulher que matou enteada e tentou matar adolescente com veneno na comida

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— Foto: Bruno Dantas/TJRJ

Uma mulher acusada de envenenar os próprios enteados foi condenada a 49 anos e seis meses de prisão pelo Conselho de Sentença do 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. A decisão foi anunciada após um julgamento que durou cerca de 16 horas, atravessando a madrugada desta quinta-feira (5). A defesa informou que pretende recorrer da sentença.

A ré, Cíntia Mariano Dias Cabral, foi considerada culpada pela morte de Fernanda Cabral, de 22 anos, e pela tentativa de homicídio contra Bruno Carvalho Cabral, que tinha 16 anos na época dos fatos, ocorridos em 2022. Ela estava presa desde o início das investigações.

O júri começou por volta das 15h de quarta-feira (4) e terminou pouco antes das 7h da manhã do dia seguinte. Após a fase de debates, os jurados levaram menos de 30 minutos para chegar ao veredito. A sentença foi lida pela juíza Tula Mello, que destacou a gravidade e as consequências do crime.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Cíntia teria colocado veneno conhecido como “chumbinho” em refeições servidas aos enteados em momentos diferentes.

Depoimento do sobrevivente

Durante o julgamento, Bruno Carvalho Cabral, que sobreviveu ao envenenamento, foi o primeiro a prestar depoimento. Ele relatou que percebeu algo estranho no prato servido pela madrasta.

Segundo o jovem, o feijão tinha um gosto diferente e apresentava pequenos pontos azuis. Ele afirmou que estranhou o fato de a madrasta ter entregue diretamente o prato já servido apenas com feijão.

Bruno contou ainda que chegou a separar algumas partículas do alimento e questionou Cíntia sobre o que havia na comida, momento em que ela teria demonstrado nervosismo.

Depois de deixar a casa do pai e ir para a residência da mãe, o adolescente começou a passar mal pouco tempo depois. Ele relatou que acordou com dificuldade para falar, andar e enxergar, sendo levado às pressas ao hospital.

Naquele momento, segundo ele, já suspeitava de envenenamento e associou o episódio ao que havia ocorrido anteriormente com a irmã.

Conflitos familiares

Durante o julgamento, Adeílson Cabral, pai das vítimas e ex-companheiro da ré, afirmou que havia conflitos frequentes entre Cíntia e os filhos, especialmente com Fernanda.

Ele relatou que as discussões geralmente surgiam por questões cotidianas da casa e também por ciúmes, já que ele costumava ajudar e favorecer a filha em algumas situações, o que incomodava a companheira.

Suspeita após morte da filha

A mãe das vítimas, Jane Cabral, contou ao tribunal que passou a desconfiar da madrasta após a morte de Fernanda. Ela também relatou um episódio em que Cíntia teria insistido em oferecer comida durante o período em que a jovem estava internada.

Segundo Jane, em outra ocasião, a ré chegou a enviar um bolo de chocolate para sua casa, que acabou sendo descartado por medo de envenenamento.

Filhos da acusada relataram confissão

Dois filhos de Cíntia também prestaram depoimento no júri. Lucas Mariano Rodrigues afirmou que a mãe confessou ter envenenado os enteados após o episódio envolvendo Bruno.

Segundo ele, ao questionar a mãe, ela admitiu ter colocado veneno tanto na comida de Bruno quanto na de Fernanda.

A filha da ré, Carla Mariano Rodrigues, também relatou que ouviu a confissão diretamente da mãe durante uma conversa na casa da avó.

O que diz a acusação

Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, o primeiro crime ocorreu em 15 de março de 2022, quando Fernanda teria ingerido alimento contaminado com veneno. A jovem passou mal, foi hospitalizada e morreu 13 dias depois.

Meses depois, em maio de 2022, o mesmo método teria sido utilizado contra Bruno, que sobreviveu.

Laudos periciais apontaram que as vítimas apresentaram sintomas compatíveis com intoxicação por carbamato, substância presente no chamado “chumbinho”. A acusação sustenta que o crime teria sido motivado por ciúmes da relação dos jovens com o pai.

Relembre o crime

 

Cíntia é ré por homicídio e tentativa de homicídio com uso de “chumbinho”, substância usada como veneno para ratos.

Segundo as investigações, Cíntia teria colocado chumbinho na comida dos enteados, num intervalo de dois meses, por ciúmes da relação deles com o pai, Adeílson Jarbas Cabral, com quem ela vivia havia 6 anos.

Fernanda morreu em março de 2022, depois de 13 dias internada em um hospital de Realengo, na Zona Oeste. Dias depois, o irmão dela, Bruno, também apresentou sintomas de envenenamento após almoçar feijão na casa da madrasta.

O rapaz contou à polícia que o feijão estava “amargo e com pedrinhas azuis” e começou a passar mal logo depois da refeição. Ele conseguiu sobreviver, mas a mãe desconfiou do crime e procurou a 33ª DP (Realengo), que iniciou as investigações.

Prisão, confissões e exumação

 

Cíntia foi presa em maio de 2022, enquanto prestava depoimento na 33ª DP. Antes da prisão, chegou a tentar se matar, segundo a investigação.

Durante o processo, dois filhos biológicos da acusada afirmaram em juízo que a mãe confessou ter colocado veneno na comida dos enteados.

O corpo de Fernanda Cabral foi exumado um mês após a morte, já sob suspeita de envenenamento. Uma das análises feitas indicou que ela foi mesmo vítima de envenenamento.

Durante audiências anteriores, a médica Marina de Carvalho, que atendeu a jovem no Hospital Albert Schweitzer, relatou que não suspeitou de envenenamento no primeiro momento.

Já o ex-diretor do IML, Leonardo Dias Ribeiro, ouvido como testemunha de defesa, afirmou que o corpo deveria ter sido encaminhado ao Instituto Médico Legal, já que se tratava de uma morte súbita e suspeita.

“Não é comum uma jovem saudável apresentar uma morte súbita e, por isso, normalmente se deve encaminhar ao IML”, explicou o médico.


✍️ Autoria: Portal RBT News
📌 Créditos: g1 RJ

Olá meu é Roberto Santos. Sou formado em Comunicação Social Jornalismo pela Universidade Federal de MT. Com mais de 10 anos de experiência. Trabalho com jornalismo comunitário e político. Ja trabalhei em canais como a Rede TV, Record e Band na cidade de Barra do Garças. Também para os sites Chocolate News e Semana7, bem como, nas Rádio Continental FM em Pontal do Araguaia e na Rádio Universitária FM em Aragarças GO. Em Sorriso trabalhei na antiga rádio Sorriso AM 700 ( Atual Sorriso FM) e no SBT Sorriso, minha última atuação na imprensa tradicional. Sempre trabalhei e vou continuar com foco em atender a população em geral e contribuir para o crescimento da cidade e do país. Atualmente sou proprietário do site Portal RBT News. Nasci em Fátima do Sul MS em 15 de setembro de 1981. è filhos de dona Tresinha Rosas da Silva e do seu Francisco Viana da Silva. Sou casado com Priscila Rapachi a quase 20 anos. juntos tivemos 04 filhos. Isaque, Larissa, Israelle e Israel. Dois de nossos filhos moram com o Senhor, Isaque e Israelle , estão nos braços do Pai.

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