A Polícia Federal investiga a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito supostamente fraudadas pelo Master ao BRB. No ano passado, a direção do banco de Brasília informou que os valores foram parcialmente devolvidos —cerca de R$ 10 bilhões haviam sido recuperados.
A Folha revelou, no entanto, que os ativos repassados pelo Banco Master ao BRB para substituir os créditos fraudados são compostos por fundos que têm em seu patrimônio ações de empresa que perdeu valor, carteiras de crédito inadimplentes (dívidas não pagas ou em atraso) e imóveis da família de Daniel Vorcaro, de baixa liquidez.
O BC (Banco Central) ainda está avaliando a qualidade desses fundos e de outros ativos. O BRB também está fazendo uma análise interna. A instituição financeira contratou o escritório de advocacia Machado Meyer e a Kroll.
Em nota, o banco do DF afirmou “qualquer estimativa de necessidade de capital considerará integralmente todos os efeitos identificados na avaliação dos fundos e ativos repassados pelo Banco Master”. “Para suprir possível déficit, já está desenhado um plano de capitalização que será encaminhado ao órgão regulador após a conclusão das análises”, completou.
A depender do valor que terá de ser provisionado, o controlador do banco, o governo do Distrito Federal, deverá fazer um aporte de capital.
A interlocutores, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa tem dito que tudo foi precificado de maneira correta e com deságio. Costa foi afastado do cargo, após virem à tona as investigações sobre as carteiras de crédito fraudadas.
As investigações do Ministério Público Federal, com base em denúncia feita pelo Banco Central, apontaram que o Master adquiriu carteiras de crédito da consultoria Tirreno, sem realizar qualquer pagamento, e logo em seguida, os papéis foram vendidos ao BRB.
No depoimento à PF, o diretor do BC também disse que a instituição sabia desde março dos problemas nos créditos repassados pelo Master ao BRB. A informação foi publicada no portal Metrópoles e confirmada pela Folha.
Aquino diz que naquele mês fez um questionamento ao BRB sobre o assunto, e a partir daí o banco de Brasília passou a reportar a situação ao BC, que acompanhou a substituição dos ativos.
“Em 8 de julho de 2025, através de ofício, o BRB fala que está internalizando novos ativos. Aí ele pega Credcesta, cartão benefício, CRI, FII, títulos do exterior, ações, cotas. Então, neste ofício, o BRB diz que está internalizando novos ativos frente às carteiras adquiridas do Master, dadas como inexistentes”, disse Aquino.
O diretor do BC também negou ter recebido qualquer tipo de pressão no caso.
“Não recebi nenhuma pressão em termos de liquidar ou não liquidar de autoridades da República”, afirmou.
A negativa do BC à compra do Master pelo BRB ocorreu em setembro de 2025, e a liquidação do Master foi anunciada em 18 de novembro do mesmo ano.
Aquino falou à PF no fim de dezembro de 2025. A determinação inicial do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli era de uma acareação entre Daniel Vorcaro, Ailton de Aquino e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
Mas o ministro recuou diante da pressão contrária e substituiu a medida no caso do servidor.
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