Declarações de Pivetta sobre saída de Mauro Carvalho expõem fragilidade política e tom de soberba
As declarações do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), ao comentar a destituição de Mauro Carvalho da presidência do PRD em Mato Grosso, levantaram questionamentos no meio político e reforçam a percepção de um discurso desconectado da realidade atual do seu próprio projeto eleitoral.
Ao afirmar que “o azar é do partido, não é do Mauro”, Pivetta adota um tom que, além de desrespeitar a autonomia partidária, demonstra certa soberba em um momento que exigiria cautela, diálogo e articulação política.
Mas afinal, é mesmo azar do partido?
A saída de uma liderança partidária é, antes de tudo, uma decisão interna, que envolve estratégias, alinhamentos e construção coletiva. Reduzir esse movimento a “azar” ignora a dinâmica política e revela uma visão simplista de um processo que é, por natureza, legítimo dentro das siglas.
Mais do que isso, a reação de Pivetta parece transferir para terceiros um cenário que, na prática, também atinge diretamente o seu próprio grupo político.
Dificuldades na pré-candidatura
Nos bastidores, cresce a avaliação de que Pivetta ainda enfrenta dificuldades para consolidar sua pré-candidatura ao governo do Estado. Pesquisas recentes indicam desempenho aquém do esperado, enquanto a base de apoio segue fragmentada.
Mesmo o respaldo do governador Mauro Mendes, frequentemente citado como trunfo, não se apresenta de forma tão sólida. Dentro do União Brasil, há sinais claros de disputas internas, com lideranças como Jayme Campos sendo mencionadas como alternativas preferenciais.
Ou seja, o cenário está longe de ser confortável.
Discurso que pode afastar aliados
Em vez de buscar convergência e ampliar pontes, a postura adotada pelo vice-governador tende a gerar ruídos. Ao minimizar decisões partidárias e reagir com ironia, Pivetta pode acabar afastando potenciais aliados algo crítico em um momento pré-eleitoral.
Política exige construção, não imposição.
Momento pede humildade e articulação
A fala de que “uns entram pela frente e outros saem por trás” pode até soar como efeito retórico, mas reforça uma narrativa pouco agregadora. Em um ambiente político cada vez mais complexo, declarações desse tipo não contribuem para fortalecer projetos pelo contrário, ampliam desgastes.
Se o objetivo é liderar Mato Grosso, o caminho passa por diálogo, equilíbrio e capacidade de articulação.
Talvez seja o momento de descer do palanque, ajustar o tom e reconhecer que liderança se constrói com respeito, estratégia e, sobretudo, humildade.




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