De Sergipe a Sorriso: conheça a história de superação do jornalista JK que traz nova rádio para a cidade
De uma infância simples, sem televisão em casa e com acesso limitado à informação, nasceu uma paixão que mudaria o rumo de uma vida. O jornalista JK transformou dificuldades em combustível para realizar um sonho antigo: abrir sua própria rádio em Sorriso, hoje, símbolo de persistência e amor pela comunicação.
Em entrevista ao RBT News, ele relembrou os primeiros passos e as limitações que enfrentou ainda criança.
“A gente passou por algumas dificuldades… até os 13 anos eu não tinha TV. Eu ia na casa da minha tia pra assistir. Mas tinha rádio. E foi ali que tudo começou”, contou.
Sem muitos recursos, JK improvisava. Montava antenas, adaptava equipamentos e buscava sintonizar emissoras de diferentes estados. Era uma curiosidade insaciável que, pouco a pouco, virou vocação.
“Eu me apaixonei por rádio. Eu emendava antenas pra pegar rádio da Bahia, de Pernambuco… queria entender como tudo funcionava”, disse.
Conhecido por sempre dar exclusivas e chegar antes da concorrência, o jornalista JK construiu em Sorriso uma reputação baseada na agilidade e na credibilidade. Mas o caminho até esse reconhecimento foi marcado por desafios, tentativas e muita persistência.
Com olhar atento às mudanças no consumo de informação, JK apostou cedo nas redes sociais como ferramenta de alcance. Em uma época em que transmissões ao vivo ainda eram novidade na região, ele decidiu inovar. Utilizando apenas o celular e equipamentos, começou a fazer lives para levar informação em tempo real à população.
No início, a iniciativa gerou estranhamento. Muitos não entendiam o formato e chegaram a duvidar da proposta. Ainda assim, ele persistiu. Com linguagem direta, proximidade com o público e presença constante, as transmissões começaram a ganhar força.
A estratégia era simples, mas eficiente: estar onde a notícia estava e falar com as pessoas de forma clara e acessível. Aos poucos, o público passou a acompanhar diariamente as lives, interagir, compartilhar e confiar no conteúdo apresentado.
O crescimento foi orgânico. A audiência aumentou, os seguidores se multiplicaram e JK se tornou uma das vozes mais reconhecidas nas redes sociais locais. A credibilidade construída no rádio foi ampliada no ambiente digital, criando uma conexão ainda mais forte com a comunidade.
Além de informar, ele também passou a influenciar outros comunicadores. Ao compartilhar conhecimento e até ensinar técnicas de transmissão, ajudou a formar novos profissionais e expandir o uso das plataformas digitais na comunicação regional.
Caminho de esforço e aprendizado
A trajetória até chegar ao próprio negócio não foi fácil. JK estudou, formou-se em Letras, depois em Rádio e TV, e ainda atuou como professor de inglês e tradutor. Paralelamente, mergulhou no universo da comunicação, começando cedo em rádios comunitárias e projetos independentes.
A carreira o levou por diferentes cidades e estados. Foram idas e vindas, oportunidades que surgiram e outras que não se concretizaram. Em alguns momentos, chegou perto de grandes emissoras, mas precisou recomeçar. Ainda assim, desistir nunca foi uma opção.
“Nunca pensei em desistir. Tudo que eu fiz foi pensando no meu sonho”, afirmou.
Preconceito e desafios pessoais
Além das dificuldades profissionais, JK também enfrentou preconceito por ser nordestino. Segundo ele, muitas pessoas ainda carregam estereótipos injustos.
“Acham que a gente vem sem conhecimento, passando fome. E não é assim. Eu sou prova disso”, destacou.
Na vida pessoal, um dos momentos mais difíceis foi a perda de uma gestação, seguida de uma gravidez de risco da esposa. Em meio a críticas e ataques nas redes sociais, ele focou na família.
“Eu só queria cuidar da minha esposa e ver meu filho nascer”, relembrou.
O nascimento do filho, segundo JK, é sua maior conquista.
“Foi a melhor coisa do mundo. Minha maior vitória.”
O sonho que virou realidade
Depois de anos de aprendizado, persistência e reinvenção, inclusive sendo pioneiro em transmissões ao vivo pelo celular na região , JK finalmente realizou o sonho de ter uma rádio própria.
A conquista veio com emoção. Ele acompanhou, ansioso, a publicação oficial da autorização.
“Eu nem dormi. Fiquei esperando sair. Quando vi, foi uma felicidade enorme. Era algo meu, construído desde o começo”, contou.
Mais do que um empreendimento, a rádio representa um propósito: criar conexão com as pessoas. JK quer um espaço plural, que acolha todos os públicos.
“Quero uma rádio com jornalismo, com participação, que alcance todo mundo. A internet não acolhe como o rádio acolhe”, explicou.
Gratidão e novos projetos
Hoje, com esse novo projeto em andamento, JK não esconde a gratidão pela cidade que escolheu para viver.
“Eu amo Sorriso. Foi aqui que coloquei tudo em prática”, afirmou.
A história do jornalista mostra que, mesmo diante de limitações, preconceitos e perdas, é possível transformar sonhos em realidade. Com determinação e paixão, JK saiu de um rádio improvisado na infância para se tornar dono da própria voz no ar.










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