Com PSD em campo e Tarcísio fora, Republicanos flerta com Flávio sem se soltar de Lula

Com Tarcísio de Freitas fora da disputa presidencial e o PSD, de Gilberto Kassab, articulando um candidato próprio, o Republicanos entra no ano eleitoral dividido entre se alinhar à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ou preservar a relação com o governo Lula, defendida por parte da cúpula da sigla.
Essa divisão passa por fatores regionais, como as alianças construídas neste mandato entre dirigentes da sigla com bolsonaristas e petistas, e pela incerteza interna sobre a conveniência de apoiar uma candidatura do PSD no plano nacional.
Em São Paulo, o partido vive um momento de expectativa de crescimento com Tarcísio. Deputados e vereadores da legenda o avaliam como favorito à reeleição e, assim, veem como mais seguro seguir o posicionamento já externado pelo governador de apoio a Flávio.
Na semana passada, Tarcísio fez um gesto importante ao Republicanos e aos demais partidos de centro-direita, ao nomear o presidente estadual da legenda, Roberto Carneiro, como secretário da Casa Civil.
Sob reserva, uma liderança do partido no estado afirmou à Folha que a perspectiva é que Carneiro alinhe toda a centro-direita paulista em torno do governador. O caminho natural, desse modo, é que os partidos sigam os planos traçados por Tarcísio para o plano nacional, ainda na visão desse aliado.
Sob reserva, há integrantes do partido que dizem considerar o cenário em aberto. Parlamentares da sigla em São Paulo afirmam que a candidatura de Flávio ainda é vista como incerta e mantêm o desejo de ver Tarcísio na disputa presidencial.
Contudo, o cálculo da sigla passa pelas articulações feitas em outros estados que atrelam o Republicanos ao governo Lula. O exemplo mais evidente é Pernambuco.
O estado é reduto eleitoral do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que deve deixar o cargo nos próximos dias para disputar uma vaga no Senado. Lula mantém uma relação histórica com o grupo político do ministro.
“Vou trabalhar para que os partidos do centro possam ajudar no projeto de reeleição do presidente Lula”, disse o ministro, no fim de dezembro, em entrevista à CNN. Na ocasião, Costa Filho afirmou que procurou dirigentes de outras legendas para articular apoios ao petista.
O PSD e o Republicanos são siglas de perfis parecidos. Representam, respectivamente, a quarta e a quinta maiores bancadas da Câmara dos Deputados, com 47 e 44 assentos. Ambos indicaram ministros para o governo Lula e, ao mesmo tempo, controlam o governo paulista (com Kassab e Tarcísio).
A legenda nasceu em 2005 como Partido Municipalista Renovador (PMR), criada por lideranças da Igreja Universal do Reino de Deus, e foi se tornando mais pragmática à medida que cresceu.
O presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, prefere evitar sinalizar para algum dos cenários antes da construção de consensos. “Nada certo ainda. Teremos que conversar com o partido e ver o sentimento da maioria”, disse o deputado federal à Folha.
Pelo calendário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o registro de candidaturas ocorre até 15 de agosto, o que permite ao partido postergar decisões até a reta final da pré-campanha.




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