Bruna Louise diz que humoristas mulheres ainda sofrem preconceito: ‘Desacreditam sempre’

A humorista Bruna Louise, 41, entrou na videochamada com um sorriso despojado, como quem parecia pronta para emendar uma piada a qualquer momento. Mas o tom mudou quando o assunto foi um desabafo publicado por ela nas redes sociais na última segunda-feira (2).
Na postagem, a comediante contou que ouviu de uma colega que teria tido “sorte” por fazer humor em um momento considerado mais favorável para mulheres. Ela discorda da avaliação. “Nunca é uma boa hora para ser mulher”, afirmou ao relembrar o comentário.
A fala resume um debate que acompanha sua trajetória no stand-up. Mesmo com anos de carreira e plateias cheias, Bruna diz que o espaço conquistado pelas humoristas ainda está longe do ideal. “A gente conseguiu, sim, um pequeno espaço. Mas foi com facão desmatando, capinando o lote”, brinca. “Não é o suficiente, não é o justo, mas estamos avançando.”
Quando começou a fazer comédia, o ambiente era quase totalmente masculino. Segundo ela, a presença feminina era rara tanto nos palcos quanto nas plateias. “Desde criança a gente só via humorista homem. Ia em shows de homens. Existe essa máxima de que mulher não é engraçada, de que a mulher foi feita para rir, não para fazer rir”, afirma.
Para Bruna, isso tem relação com a forma como o humor também representa poder. “Ser engraçado é um lugar de destaque. Quando você está no palco com o microfone na mão, todo mundo está olhando para você. E esse é um lugar que historicamente não foi permitido às mulheres”, avalia.
A internet, segundo ela, ajudou a transformar esse cenário —inclusive no próprio crescimento do stand-up. “O stand-up sempre foi muito marginalizadol. Se a gente dependesse da TV, provavelmente não estaria lotando teatros”, analisa.
O tipo de humor também faz diferença. Louise costuma construir suas piadas a partir de experiências femininas e de críticas ao machismo cotidiano. “Minha piada é contra o opressor, não contra minorias. Isso muda o ponto de vista”, diz.
Ela explica que parte do sucesso com o público feminino vem justamente dessa identificação. “Um homem nunca vai entender completamente o que é estar na pele de uma mulher”, comenta. “Então é difícil fazer piada sobre algo que ele não vive.”




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