Após machucar o joelho, criança procura atendimento e morre; caso é investigado
A morte do menino João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, tem causado forte comoção em Campo Grande e levantado questionamentos sobre o atendimento recebido na rede pública de saúde. O caso, registrado na última segunda-feira (6), é alvo de investigação e mobiliza autoridades, familiares e entidades.

Segundo relatos da família, João Guilherme era uma criança saudável e começou a apresentar problemas após sofrer um ferimento no joelho enquanto brincava. A partir daí, ele passou por uma sequência de atendimentos em unidades de saúde entre quinta-feira e o início da semana seguinte.
O primeiro atendimento ocorreu em uma unidade de pronto atendimento infantil no bairro Tiradentes, onde o menino realizou exame de raio-x e foi liberado com prescrição de medicamentos. No dia seguinte, ele voltou a buscar atendimento, desta vez na UPA do bairro Universitário, onde recebeu medicação semelhante.
Com a evolução dos sintomas, o quadro passou a preocupar ainda mais a família. No sábado (4), João retornou à unidade com dores no peito, que, segundo relato, teriam sido atribuídas à ansiedade. Já no domingo, após nova avaliação, um exame apontou uma fissura no joelho, e ele permaneceu em observação.
Na segunda-feira (6), o menino foi encaminhado à Santa Casa para procedimentos na perna. No entanto, durante a noite, o estado de saúde se agravou rapidamente. Familiares relataram o surgimento de manchas pelo corpo e piora repentina do quadro clínico. Ele foi levado novamente à unidade hospitalar, mas não resistiu.
Diante das circunstâncias, o caso foi registrado como homicídio culposo — quando não há intenção de matar e será investigado pela Polícia Civil. A apuração busca esclarecer se houve falhas no atendimento, negligência ou problemas nos procedimentos adotados. Um exame necroscópico foi solicitado para determinar a causa da morte.
A família afirma ter sido informada sobre possíveis irregularidades em procedimentos médicos, incluindo questionamentos sobre a condução da intubação, o que reforça a suspeita de erro.
O Conselho Municipal de Saúde informou que acompanha o caso e defende uma apuração rigorosa. A entidade ressalta a importância de identificar possíveis falhas e garantir transparência no processo. Já a Associação das Vítimas de Erros Médicos também se manifestou, apontando indícios de problemas no atendimento e cobrando investigação detalhada.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que abriu procedimento para analisar prontuários e registros médicos, garantindo que, caso sejam identificadas falhas, as medidas cabíveis serão adotadas. A Santa Casa, por sua vez, informou que não divulga detalhes de atendimentos envolvendo menores de idade.
O velório do menino foi realizado nesta quarta-feira (8), sob forte comoção. João Guilherme participava de um coral e foi lembrado por familiares e amigos como uma criança alegre e dedicada.




Publicar comentário