Xuxu Dal Molin participa de evento em Mar-a-Lago, cita “liberdade” e aposta em articulação internacional para 2026

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Foto: Reprodução

 

Em vídeo e áudio divulgados nas redes, o conservador Xuxu Dal Molin afirmou ter participado de um evento realizado em Mar-a-Lago, propriedade do Presidente dos Estados Unidos Donald Trump, onde, segundo ele, lideranças brasileiras e latino-americanas se reuniram para discutir pautas relacionadas a “liberdade”, prosperidade econômica e o cenário político regional.

Na mensagem, Dal Molin associa o encontro ao que chama de “movimento geopolítico” em curso no mundo e defende que as eleições brasileiras de 2026 devem ser tratadas como estratégicas não apenas para o Brasil, mas para toda a América Latina.

 

O tom do pronunciamento combina entusiasmo, projeção eleitoral e uma leitura internacional do momento político. Dal Molin diz estar em Mar-a-Lago “novamente”, ressaltando que já teria estado no local antes da posse de Trump como presidente e que, naquela ocasião, temas como paz mundial e “devolver liberdade” a populações de diversos países teriam sido debatidos.

Ele cita, como exemplo, a Venezuela, país que aparece no discurso como símbolo de um suposto processo de virada política. “Muita coisa está acontecendo”, afirma, sugerindo que o ambiente do evento estaria tomado por expectativas de mudança no regime de Nicolás Maduro.

 

Na fala, o encontro é descrito como um grande evento hispânico, com premiações, presença de empresários, artistas e personalidades, além de políticos e representantes de diferentes setores. Dal Molin afirma que havia “várias lideranças do Brasil” e menciona nomes como o deputado federal Eduardo Bolsonaro, além de figuras públicas e integrantes de grupos de mídia alinhados ao campo conservador.

O relato enfatiza que o evento teria funcionado como espaço de articulação, troca de contatos e consolidação de redes políticas internacionais. “Bastante network ali, trocando cartões, discutindo, trocando ideias alternativas”, diz.

 

A mensagem ganha peso político ao ultrapassar a descrição do evento e entrar diretamente no debate eleitoral brasileiro.

Dal Molin chama 2026 de “ano estratégico” e sustenta que o Brasil precisa “resgatar ainda mais liberdade” e reforçar o “respeito à democracia” e à Constituição, em uma narrativa que tenta apresentar o campo conservador como defensor institucional, ao mesmo tempo em que critica o cenário político atual. Ele também afirma que o país precisa abandonar a polarização e interromper o ciclo de enfrentamento entre grupos.

“Nós temos que parar de jogar um contra o outro, parar com esse ódio”, diz, em um trecho que busca dialogar com o desgaste social provocado por anos de conflito político intenso.

 

No entanto, o pronunciamento não se limita a um apelo genérico por união. Dal Molin assume posição explícita ao afirmar que o grupo presente no evento seguirá “lutando” e “defendendo o nome do Flávio Bolsonaro para presidente”.

O senador é descrito por ele como alguém “bem articulado no mundo”, com “visão para frente”. A menção chama atenção por antecipar uma movimentação dentro do bolsonarismo, que ainda enfrenta disputas internas sobre liderança e estratégia para a sucessão presidencial, especialmente em um cenário em que a direita tenta reorganizar forças e construir uma candidatura competitiva nacionalmente.

 

Ao lado do discurso político, Dal Molin insere uma pauta econômica que se tornou central no campo liberal-conservador. Ele defende redução de impostos, queda de juros e retomada de prosperidade como caminho para gerar emprego e renda.

“Baixar impostos, principalmente baixar juros para gerar emprego, renda e futuro para o nosso país”, afirma, reforçando a promessa de reconstrução econômica como eixo de mobilização eleitoral.

 

O ponto mais sensível do pronunciamento, porém, aparece quando Dal Molin sugere que os Estados Unidos teriam papel relevante em “fiscalizar e acompanhar” o processo político brasileiro.

Segundo ele, a eleição no Brasil seria estratégica para a América Latina e, por isso, “os Estados Unidos têm um papel muito importante de fiscalizar e acompanhar tudo isso”. A declaração tende a alimentar interpretações divergentes.

Para apoiadores, trata-se de um argumento de vigilância internacional em defesa da democracia. Para críticos, abre margem para um discurso que relativiza a soberania nacional e reforça narrativas de tutela externa sobre o processo eleitoral brasileiro — tema historicamente delicado em democracias latino-americanas.

 

Nos bastidores da política, a presença de brasileiros em eventos ligados ao universo trumpista vem sendo interpretada como parte de uma “diplomacia paralela” construída por setores conservadores: uma articulação internacional que opera fora dos canais oficiais, baseada em encontros, fóruns, cerimônias e redes ideológicas transnacionais.

Embora não tenham valor diplomático formal, esses eventos produzem efeitos concretos no debate público ao reforçar bases eleitorais, gerar sinais de alinhamento internacional e sustentar uma narrativa de legitimidade externa para determinados projetos políticos internos.

 

Por Momento MT

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