‘Profissionais’ sem formação, falta de higiene e maus tratos: dentista suspenso já havia sido alvo do CRO

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Foto: Reprodução

O dentista suspenso Pedro Gonçalves de Souza Júnior, de Cuiabá, já havia sido alvo de processo ético-disciplinar instaurado pelo Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO-MT), junto com empresas vinculadas a ele, após denúncia que aponta indícios de exercício ilegal da odontologia, acobertamento profissional e irregularidades estruturais em clínica e laboratório odontológico, como falta de higiene no preparo dos moldes de gesso, e péssimas condições de trabalhos.
No último domingo (1), Pedro Júnior punido pelo CRO-MT, que repudiou suas declarações nas redes sociais. Nas publicações, ele ofendia profissionais da nutrição e educadores físicos, dizendo que a maioria deles seriam “gordos”, “acima do peso”, e que, com base em seu “shape definido” e nas aulas de “coach” que fez, está lançando um programa de emagrecimento chamado “Doclife”.

Porém, antes da punição, ele já havia entrado na mira de procedimento ético por parte do CRO. A apuração teve início a partir de denúncia apresentada em 21 de agosto de 2025 por C.V.I.P. e C.G.P.M., protocolada junto de fotografias, áudios e vídeos. Olhar Direto obteve acesso à denúncia, a deliberação do CRO e às imagens do processo.

O material, segundo os denunciantes, indicaria práticas irregulares no funcionamento da clínica P. G. de Souza Junior Serviços de Odontologia e do Rizzit Laboratório de Lentes Ltda., ambos sob responsabilidade de Pedro Gonçalves de Souza Júnior. A pessoa que fez as acusações era um protético que trabalhava para Pedro.

De acordo com a denúncia, Pedro teria autorizado funcionários sem habilitação legal a realizarem procedimentos odontológicos em pacientes, inclusive alguns deles invasivos e complexos. Entre os casos relatados está o de M.C.C.M., auxiliar pessoal de Pedro, que, conforme os autos, não possui formação acadêmica nem curso de Auxiliar de Saúde Bucal (ASB), mas atuaria no atendimento a pacientes, auxiliando em cirurgias, preparo de pacientes, realização de clareamentos, moldagens, vazão de gesso e radiografias.

A denúncia também menciona que uma estudante de odontologia, sem habilitação profissional, realizaria atendimentos clínicos, procedimentos odontológicos, exames radiográficos e atividades laboratoriais. Já J., igualmente estudante, teria desempenhado funções típicas de ASB e de clínico geral, sem a capacitação exigida, incluindo preparo de pacientes, radiografias e trabalhos laboratoriais.

Consta ainda nos autos que as funcionárias seriam orientadas por Pedro a não informar aos pacientes quais atividades efetivamente realizavam.

As testemunhas C.V.I.P. e C.G.P.M. relataram que presenciaram, em visita à clínica, uma discussão entre um paciente e Pedro Júnior, motivada por insatisfação com o atendimento. Eles afirmam ter visto funcionárias sem formação ou registro profissional entrarem nas salas de atendimento e permanecerem sozinhas com pacientes, que eram liberados posteriormente.

Outro ponto apurado envolve A.E.W., que atuaria como protético no local sem possuir curso ou habilitação para a função, também com autorização do responsável técnico.

Segundo o relato, além da falta de qualificação, haveria falhas recorrentes na produção das lentes, atribuídas à execução inadequada dos procedimentos laboratoriais, apontando ainda supostas irregularidades na estrutura física da clínica e do laboratório, como condições inadequadas de higiene, uso de equipamentos não permitidos, exposição de áreas laboratoriais e possíveis problemas na rede elétrica, além do preparo de materiais de gesso ao lado de uma caixa de gordura.

Há ainda relatos sobre condições de trabalho, ausência de registro em carteira e supressão de direitos trabalhistas, informações que, segundo o denunciante, teriam sido comunicadas aos órgãos competentes.

Após análise preliminar, a Comissão de Ética do CRO-MT concluiu pela existência de indícios suficientes para apuração formal dos fatos e, então, foi determinada a instauração de processo ético-disciplinar contra Pedro Gonçalves de Souza Júnior, P. G. de Souza Junior Serviços de Odontologia, Rizzit Laboratório de Lentes Ltda., M.C.C.M. e A.E.W.

Os denunciados deverão ser notificados para apresentar defesa, assegurados o contraditório e a ampla defesa, para apuração das responsabilidades e eventual aplicação das penalidades previstas na legislação profissional.

A decisão foi formalizada em Cuiabá, em 15 de setembro de 2025, e assinada pela presidente da Comissão de Ética do CRO-MT.

Outro lado

Procurado pela reportagem, Pedro Gonçalves de Souza Júnior se limitou a afirmar que a matéria não ‘surfaria no seu hype’,

Leia abaixo o pronunciamento completo de Pedro:

Esses processos aí você pode produzir a matéria, tranquilo, não tem problema. São processos ali que estão em trâmite , e não tem problema, não. Você pode pronunciar da forma que você quiser. Porque, assim, cara, graças a Deus, hoje na nossa profissão nós somos muito bem reconhecidos, temos, de toda forma, muito sucesso.

E, claro, todo mundo que tem sucesso tem, sim, uma pequena quantidade de problemas. E não tem problema com isso. Só que eu acredito que se você for por esse nível, o qual você está querendo ir, você não vai atingir o meu público e, consequentemente, também você não vai ter o meu hype.

Eu acredito que agora, se você quisesse ter o meu hype, você deveria divulgar por um outro lado, divulgando a parada pelo lado bom. ‘Pô, o cara está tentando transformar a vida de pessoas e ele teve o seu CRO a suspenso e tal, entendeu? Porque eu acredito que, dessa forma, você não vai ter o meu hype. Você vai ter, talvez, um pouco do hype do seu público, mas você não vai furar a minha bolha. Agora, se você quiser postar de outra forma, fica a seu critério.

Entendo perfeitamente que é o seu trabalho, que você vive disso, que você vive de clique, de link, que você precisa, sim, fazer aquilo que a sua audiência… Porque pelo que eu entendi, vocês têm uma pegada mais de esquerda, e você precisa, sim, fazer o seu público engajar com o seu conteúdo. Concordo perfeitamente.

Mas eu não iria por essa pegada aí que você tá indo. Porque dá pra você surfar o meu hype de outra maneira. Que é o que a galera de outros jornais aí já entenderam e já fizeram.

Porque quando a gente cresce, a gente quer ajudar o maior número de pessoas possível. Então, até brinquei com a foto, quando a galera posta as fotos lá, consequentemente postam fotos bonitas, eu reposto. Eu não sei se o seu me postou de alguma forma com uma foto bonita ou não. Mas eu repostei alguns que me postaram com a foto bonita. Porque eu entendo o trabalho de vocês. Eu já estudei, eu sei como vocês ganham grana, audiência. Mas óbvio que eu não vou dar ibope pra uma pessoa que ela tá tentando tirar de contexto alguma coisa ou algo do tipo.

Por Olhar Direto

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