Presidente Lula veta “penduricalhos” acima do teto do funcionalismo e barra reajustes até 2029 aprovados pelo Congresso


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, com vetos parciais, os projetos aprovados pelo Congresso Nacional que tratam da reestruturação de carreiras e da recomposição salarial de servidores do Legislativo federal e do Tribunal de Contas da União.
A sanção garante a aplicação de reajustes salariais previstos para 2026, com índices médios que variam entre categorias. No entanto, o Palácio do Planalto barrou dispositivos que autorizavam aumentos escalonados até 2029 e a criação de vantagens que poderiam elevar remunerações acima do teto do funcionalismo público.
Entre os pontos rejeitados estão mecanismos conhecidos como “penduricalhos” — gratificações, licenças compensatórias e indenizações que, na prática, poderiam ampliar os ganhos mensais para além do limite constitucional, hoje vinculado ao subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
Também foram vetadas propostas que previam:
Reajustes automáticos nos anos posteriores a 2026;
Conversão de licenças em pagamentos adicionais;
Despesas permanentes sem previsão orçamentária integral;
Impactos indiretos sobre aposentadorias e pensões.
Na justificativa dos vetos, o governo federal apontou risco às contas públicas. A equipe econômica avaliou que a criação de aumentos obrigatórios para exercícios futuros poderia ferir regras fiscais e ampliar gastos continuados sem garantia de fonte de custeio.
O entendimento é de que benefícios extras abririam brechas para supersalários e pressionariam o orçamento da União nos próximos anos.
Apesar dos cortes, a sanção preserva pontos considerados centrais nas propostas:
Recomposição salarial válida para 2026;
Ajustes nas estruturas de carreira;
Gratificações de desempenho dentro do teto constitucional;
Regras administrativas para progressão funcional.
As medidas alcançam servidores da Câmara, do Senado e do Tribunal de Contas da União.
Os trechos barrados ainda serão examinados pelo Congresso Nacional em sessão conjunta. Deputados e senadores podem decidir pela manutenção ou derrubada das decisões presidenciais.
Caso os vetos sejam rejeitados, os dispositivos originais, incluindo reajustes futuros e benefícios adicionais,passam a valer.
A medida reacende discussões sobre a existência de supersalários no serviço público e a necessidade de regulamentação mais rígida das verbas indenizatórias.

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