Novas atualizações do julgamento dos suspeitos no Feminicídio de Raquel Cattani

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Reprodução Internet

 

O julgamento dos irmãos Rodrigo Xavier Mengarde e Romero Xavier Mengarde, acusados pela morte de Raquel Cattani, teve continuidade nesta quarta-feira, com uma longa sequência de depoimentos, interrogatórios dos réus e o início das sustentações orais no Tribunal do Júri. O caso, de grande repercussão estadual, apura a responsabilidade dos acusados no homicídio ocorrido em julho de 2024, no Pontal do Marape.

A sessão foi retomada no início da tarde com a oitiva de testemunhas arroladas pela defesa. O primeiro a depor foi Marcos Bilibio, que relatou um breve encontro com Romero na estrada, quando o réu teria parado o carro apenas para perguntar sobre a possível venda de novilhas. Segundo a testemunha, a conversa foi rápida, não houve descida do veículo nem qualquer menção a deslocamentos ou ao crime. Marcos afirmou ainda que o local do encontro não ficava próximo ao sítio da vítima ou da família Cattani.

Na sequência, foi ouvido por videoconferência Anderson de Barros Sampaio, testemunha da defesa de Romero. Ele afirmou que conheceu o réu por intermédio de um colega de trabalho e que, na noite anterior ao crime, esteve com Romero e outras pessoas em bares e casas noturnas. Segundo o depoimento, todas as despesas foram pagas por Romero, em dinheiro. Anderson disse não ter presenciado o crime nem ter tratado do assunto com o réu naquela ocasião.

A última testemunha ouvida foi Samoel Marcos da Conceição, também por videoconferência. Ele confirmou que passou parte da noite com Romero, consumindo bebida alcoólica e frequentando estabelecimentos, permanecendo juntos até a madrugada. Assim como a testemunha anterior, afirmou que Romero arcou com todos os gastos e que não teve contato com ele após aquela data.

Encerrada a fase de testemunhas, teve início o interrogatório dos réus. Rodrigo Xavier Mengarde foi o primeiro a ser chamado, mas optou por permanecer em silêncio, exercendo o direito constitucional.

Romero Xavier Mengarde decidiu prestar depoimento. Ele negou integralmente as acusações, afirmando que não participou, não planejou e não consentiu com o homicídio de Raquel. Romero declarou que a separação foi iniciativa dele e que o casal estava separado de fato havia cerca de 30 dias antes do crime. Relatou ainda uma relação conturbada com o irmão, marcada por conflitos antigos e afastamento.

Durante o interrogatório, Romero apresentou sua versão sobre os deslocamentos no dia do crime, a ida a postos de combustível, encontros familiares e o período da madrugada, quando afirmou ter permanecido consumindo bebida alcoólica com outras pessoas. Ele também declarou não saber o motivo pelo qual Rodrigo o teria apontado como mandante do crime, sugerindo que poderia se tratar de ressentimentos antigos.

Em um dos momentos mais tensos do depoimento, Romero afirmou ter sido torturado por policiais após a prisão, alegando agressões físicas e coação para confessar envolvimento no crime. A acusação questionou contradições entre versões apresentadas ao longo do processo, especialmente quanto ao contato entre os irmãos e dados técnicos de telefonia.

Com o encerramento dos interrogatórios, teve início a sustentação oral do Ministério Público, representado pelos promotores João Marcos de Paula Alves e Andreia. A acusação pediu a condenação de ambos os réus por homicídio qualificado, sustentando a tese de premeditação, união de vontades e extrema crueldade. O MP destacou provas técnicas, mensagens, dados de telefonia, perícias genéticas e laudos que apontam 40 golpes de faca, além do sofrimento prolongado da vítima.

Na sequência, a defesa de Rodrigo Xavier Mengarde iniciou sua sustentação, reconhecendo a autoria do crime por parte do réu confesso, mas sustentando distinções jurídicas quanto às qualificadoras, especialmente em relação ao feminicídio. A defesa de Romero deu início à sua manifestação logo após, dando continuidade aos debates.

A sessão seguiu até a noite e foi suspensa para prosseguimento das fases finais do julgamento, que definirá a responsabilidade penal dos réus pela morte de Raquel Cattani.

Por RBT NEWS

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