Moraes envia a Gilmar pedido de prisão domiciliar de Bolsonaro

 

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Um habeas corpus apresentado em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será analisado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A remessa dos autos foi determinada nesta sexta-feira (16/1), pelo ministro Alexandre de Moraes, que exerce a Vice-Presidência da Corte e, durante o recesso do Judiciário – de 12 a 31 de janeiro –, responde interinamente pela Presidência em questões urgentes.

Na decisão, Moraes se declara impedido de apreciar o pedido. “Uma vez que a autoridade apontada como coatora no presente habeas corpus é o próprio ministro responsável pela análise das urgências no período, inviável a apreciação dos pedidos formulados por esta vice-presidência”, diz o ministro.

 

A ação foi impetrada pelo advogado Paulo Emendabili Souza Barros de Carvalhosa, que não integra a defesa oficial de Bolsonaro.

 

No pedido, o autor solicita duas providências: que o Conselho Federal de Medicina (CFM) avalie se o estabelecimento prisional onde o ex-presidente está custodiado possui condições adequadas para garantir atendimento médico contínuo, com equipes de saúde preparadas e multidisciplinares; e que Bolsonaro possa cumprir eventual pena em regime domiciliar.

O habeas corpus foi distribuído na última terça-feira (13/1) à ministra Cármen Lúcia, por prevenção, conforme previsto no Regimento Interno do STF e em resolução da própria Corte. Isso significa que, por já ter atuado em casos relacionados ao tema, ela passou a ser a relatora responsável pelo processo.

 

Bolsonaro na Papudinha
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou a Superintendência da Polícia Federal nessa quinta-feira (15/1) e foi transferido para a chamada Papudinha, uma Sala de Estado-Maior localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar, anexa ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A mudança ocorreu por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro estabeleceu ainda uma série de condições específicas para a custódia, entre elas:

– Assistência médica integral por médicos particulares previamente cadastrados, 24 horas por dia;
– Deslocamento imediato para hospitais em caso de urgência, com comunicação ao STF em até 24 horas;
– Autorização para sessões de fisioterapia, com profissionais cadastrados;
– Alimentação especial diária, com pessoa indicada pela defesa para entrega;
– Atendimento médico em regime de plantão pelo sistema penitenciário;
– Visitas semanais de esposa e filhos;
– Assistência religiosa com dois líderes indicados;
– Permissão para leitura;
– Instalação de barras de apoio na cama e aparelhos de fisioterapia, como esteira e bicicleta.

O pedido da defesa para acesso a uma Smart TV foi rejeitado.

Como é a Papudinha
A Papudinha fica a poucos metros das unidades da Papuda destinadas a presos comuns, no Jardim Botânico (DF), e tem capacidade para 60 detentos.

O prédio tem oito celas em formato de alojamentos coletivos, cada uma com banheiro, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. As instalações foram reformadas em 2020.

Os custodiados podem receber itens de higiene, limpeza, roupas e enxoval definidos pela administração penitenciária. Também é permitido o uso de televisores e ventiladores, conforme as regras internas.

A unidade conta ainda com sala exclusiva para atendimento de advogados, consultório médico com atendimentos semanais e áreas para prática esportiva, incluindo pista de caminhada.

O Núcleo de Custódia da Polícia Militar (NCPM), onde fica a Papudinha, é destinado a militares estaduais ainda vinculados à corporação, militares aguardando possível perda do cargo e civis com direito à sala de Estado-maior – como advogados inscritos na OAB e determinadas autoridades.

Por Repórter MT

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