Marcão do Povo diz que não é condenado por racismo e vai à Justiça contra Ludmilla por vídeo

Marcão do Povo apresentou uma notícia-crime na polícia civil de Barueri, da Grande São Paulo, solicitando uma representação contra Ludmilla. Ele quer que o Ministério Público de São Paulo obrigue a cantora a tirar do ar um vídeo publicado por ela, no último dia 19, onde diz que o apresentador do SBT é condenado por racismo.

A coluna teve acesso ao documento. Procurados pela coluna, os advogados de Marcão do Povo e Ludmilla não responderam aos contatos desde o último sábado (27).

A polícia já abriu inquérito para investigar os pedidos feitos pelo âncora do Primeiro Impacto. Segundo Marcão, Ludmilla ultrapassou o limite de liberdade de expressão. Marcão diz que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) o inocentou da acusação da cantora, em decisão de dezembro de 2024, que foi mantida após recurso neste ano.

No vídeo, Ludmilla alega que Marcão do Povo teve o racismo reconhecido, mas que os advogados do apresentador usaram de uma manobra para que ele não fosse condenado. A tática foi dizer que houve um recurso fora do prazo. O STJ aceitou o argumento de Marcão.

“Ele não foi inocentado, gente. Na verdade, ele usou uma manobra para se livrar das consequências. A Justiça reconhece o racismo que ele cometeu comigo, contra mim. Mas ele não vai pagar nada por isso. É uma manobra processual absurda”, afirmou a cantora na publicação.

“Agora, o SBT, que é uma emissora histórica, que sempre representou a pluralidade do Brasil, precisa saber quem mantém em sua casa um apresentador condenado por racismo”, disse Ludmilla.

Na notícia-crime, Marcão diz que o vídeo é mentiroso e questiona uma decisão soberana do STJ. “Tais expressões não admitem ambiguidade semântica e afastam qualquer tentativa de enquadramento como crítica genérica, configurando imputação objetiva de conduta criminosa”, diz o documento.

“Mesmo ciente do histórico processual, até porque afirma expressamente que houve manobra processual, a representada (Ludmilla) opta por desqualificar a decisão judicial absolutória, imputando ao Judiciário uma suposta fraude e, ao ofendido, a prática de crime”, conclui Marcão.

Relembre o caso

O conflito remonta a 2017, quando Marcão do Povo, então contratado da Record, chamou Ludmilla de “macaca” ao vivo durante um programa. O episódio resultou em processo judicial movido pela cantora e culminou na demissão do apresentador da emissora na época.

Marcão declarou publicamente que teria sido absolvido das acusações. Ludmilla rebateu, afirmando que o apresentador se valeu de uma “manobra processual” para não sofrer punições, embora o ato racista tenha sido reconhecido.

Atualmente, Marcão é apresentador do programa Primeiro Impacto, no SBT. A permanência do apresentador na emissora levou Ludmilla a se recusar a receber uma homenagem.

“Eu não posso aceitar uma homenagem enquanto essa mesma emissora continua dando voz, espaço e respaldo a pessoas que tiveram atitudes racistas”, afirmou.

Por Folha de São Paulo

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