Mais de 600 trabalhadores são resgatados de situação análoga à escravidão em MT

Ao menos 627 trabalhadores foram retirados de situações análogas à escravidão em Mato Grosso em 2025, segundo balanço divulgado pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no estado (SRTE-MT). Os dados foram apresentados nesta terça-feira (28), em referência ao Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, e evidenciam a dimensão das fiscalizações realizadas ao longo do ano, que também resultaram na regularização de centenas de vínculos trabalhistas.
De acordo com a SRTE-MT, além dos resgates, 716 pessoas tiveram a situação profissional formalizada após ações fiscais que identificaram irregularidades em contratos, registros de jornada e pagamento de salários. As operações apontaram que, em muitos casos, a exploração não estava apenas nas condições visíveis de trabalho, mas também em fraudes estruturadas para ocultar abusos.
Operações e fraudes identificadas
Ao longo de 2025, o Grupo Móvel Regional realizou 34 operações voltadas ao combate ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas. Nessas ações, 848 trabalhadores foram alcançados em fiscalizações que verificaram cumprimento de jornada e remuneração. Em pelo menos uma ocorrência, os auditores constataram manipulação de controles de ponto e distorções salariais usadas para mascarar a exploração.
O trabalho foi reforçado ainda por duas operações do Grupo Móvel Nacional, que resultaram no resgate de outros quatro trabalhadores, em fiscalizações concentradas nos setores rural, de garimpo e em situações de exploração sexual.
Resgate em massa marcou o ano
O episódio mais emblemático ocorreu em Porto Alegre do Norte, em agosto, quando 586 trabalhadores da construção civil foram resgatados após um incêndio em alojamentos expor condições degradantes e jornadas exaustivas. O caso se tornou o maior resgate do período e teve repercussão nacional.
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Além desse município, os resgates ao longo do ano foram registrados em Cuiabá, Nova Bandeirantes, Nova Maringá, Sorriso, Chapada dos Guimarães e Cláudia. Entre as vítimas estavam duas mulheres e dois trabalhadores venezuelanos, o que também acendeu o alerta para situações envolvendo migrantes.
Combate à exploração invisível
Para a superintendente substituta da SRTE-MT e coordenadora estadual do projeto de enfrentamento ao trabalho análogo ao escravo, Flora Camargos, o combate às fraudes é tão decisivo quanto a repressão às situações mais explícitas de exploração.
“Há casos em que a violação não aparece de forma evidente. Ela está escondida em controles de jornada manipulados e em salários pagos de forma irregular. A formalização de mais de 700 trabalhadores mostra que a fiscalização também atua para devolver dignidade e segurança jurídica às relações de trabalho”, destacou.
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Mais auditores para ampliar fiscalização
O balanço também aponta reforço na estrutura de fiscalização. Vinte e seis novos Auditores Fiscais do Trabalho, aprovados no Concurso Nacional Unificado, passarão a atuar em Mato Grosso. Com isso, o efetivo da SRTE-MT cresce mais de 50%, já que antes havia 21 auditores em atividade.
Do total, 14 profissionais serão lotados em Cuiabá, seis em Rondonópolis, onde a unidade passará a contar com oito auditores, e seis em Sinop, ampliando a capacidade de fiscalização em diferentes regiões do estado.
Por Primeira Página




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