Investigada por esquema que movimentou R$ 50 milhões se entrega em Sorriso
A suspeita apontada pela Polícia Civil como uma das principais investigadas na Operação Pátio Paralelo se entregou na manhã desta sexta-feira (28), na Delegacia de Polícia de Sorriso, em Mato Grosso. A operação foi deflagrada na quarta-feira (26) para investigar um suposto esquema envolvendo desvio de veículos, fraudes em negociações comerciais, associação criminosa e lavagem de capitais.
A investigação é conduzida pela Delegacia Municipal de Sorriso, por meio do Núcleo de Combate ao Crime de Estelionato e Lavagem de Dinheiro. Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado teria utilizado a estrutura e a credibilidade de uma concessionária para conquistar a confiança de clientes, receber veículos usados como parte do pagamento e direcionar valores para contas ligadas aos investigados.
De acordo com o delegado Thiago Meira, a Polícia Civil já sabia onde a suspeita estava e vinha monitorando seus deslocamentos. Antes de se apresentar, ela estava no escritório do advogado.

“Hoje, ela acabou se entregando aqui na DP. A gente já tinha informação de onde é que ela estava. Ela estava no escritório do advogado dela, que inclusive está aqui ao lado, acompanhando a entrevista. A gente estava acompanhando ela, já sabia onde estava, ficamos monitorando”, explicou o delegado.
Segundo Thiago Meira, quando a suspeita deixou o escritório, os policiais se preparavam para realizar a abordagem e cumprir a prisão. No entanto, o advogado entrou em contato com a delegacia e informou que ela iria se apresentar espontaneamente.
“Ao sair, o pessoal já ia abordar o veículo para fazer a prisão, mas o advogado me ligou, informando que estava em diligência aqui para a delegacia, para que ela queria se apresentar. O pessoal veio acompanhando, o advogado, de fato, eles vieram à delegacia e acabou aqui sendo efetuada a prisão dela”, relatou.
Investigação aponta movimentação de R$ 50 milhões
A Operação Pátio Paralelo investiga possíveis irregularidades envolvendo veículos entregues por consumidores como entrada na compra de novos automóveis. Conforme a apuração, esses veículos teriam sido desviados para terceiros e posteriormente encaminhados a empresas relacionadas aos investigados, sem o devido registro no fluxo comercial regular da concessionária.
Até o momento, entre 15 e 20 possíveis vítimas foram identificadas, com prejuízo diretamente comprovado superior a R$ 2 milhões. A Polícia Civil, porém, aponta que esse valor pode aumentar conforme as diligências avancem.
Além dos prejuízos já individualizados, a análise financeira indica que os investigados teriam movimentado aproximadamente R$ 50 milhões em apenas um ano.
O delegado Thiago Meira reforçou que o montante movimentado não significa, necessariamente, que todo o valor tenha origem ilícita.
“Não estou dizendo que é todo fruto ilícito, mas, de fato, já tem bastante movimentação que eles devem explicações”, afirmou.
Celulares e dados bancários serão analisados
Com o avanço da operação, a Polícia Civil deve analisar celulares e outros equipamentos apreendidos, além de documentos e informações financeiras obtidas durante as diligências.
Também foram autorizados pela Justiça afastamentos de sigilos bancário, fiscal e telemático, que poderão auxiliar os investigadores na reconstrução do fluxo financeiro e na identificação da origem e destino dos recursos.
“São investigações um pouco complexas, demandam um certo tempo, infelizmente, mas a gente conseguiu puxar bastante informação até agora”, explicou Thiago.
Segundo ele, as diligências continuam e novas informações poderão surgir a partir da análise dos materiais apreendidos.
“A gente vai ter acesso às informações e esperamos que consigamos chegar até o final da linha, porque tem mais pessoas aí para serem investigadas”, disse.
Suspeita é apontada como principal alvo das fraudes
Questionado sobre o papel da mulher dentro do suposto esquema, o delegado afirmou que, até o momento, ela é considerada o principal ponto da investigação.
“Até o presente momento, sim. Até o presente momento, ela é o ponto principal das fraudes”, declarou Thiago Meira.
O delegado também informou que outros suspeitos foram interrogados nesta sexta-feira. Conforme relatado por ele, alguns investigados teriam afirmado que também foram enganados pela mulher apontada como principal alvo da investigação.
Thiago Meira ainda afirmou que não havia conversado pessoalmente com a suspeita até aquele momento. Segundo ele, havia a informação preliminar de que ela poderia permanecer em silêncio durante o interrogatório, mas isso ainda não havia sido oficialmente confirmado.
Investigações continuam
A Operação Pátio Paralelo cumpre mais de 20 ordens judiciais, entre elas mandado de prisão preventiva, mandados de busca e apreensão, afastamentos de sigilos bancário, fiscal e telemático e bloqueios de ativos financeiros.
A Polícia Civil continua as investigações para esclarecer a destinação dos veículos e dos recursos, identificar novas possíveis vítimas e verificar a eventual participação de outras pessoas físicas ou jurídicas.
Para o delegado Thiago Meira, a entrega da suspeita representa apenas uma primeira etapa do trabalho investigativo.
“O primeiro passo foi dado, mas as investigações continuam”, concluiu
Por Redação RBT News




Publicar comentário