Flávio compara Lula a Opala: ‘Já foi bonito, mas não te leva a lugar nenhum e bebe para caramba’

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, comparou o presidente Lula (PT) a um carro Opala em entrevista nesta quarta-feira (11). “Lula é como Opala, ‘velhão’, já foi bonito, mas hoje não te leva a lugar nenhum e ainda bebe para caramba”, disse o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante conferência do banco BTG, seguido por aplausos dos presentes.
Flávio afirmou que a eleição de 2026 não será sobre Lula e Bolsonaro, mas sobre o caminho que o Brasil vai querer seguir. “Se é o caminho da prosperidade, que vamos propor, ou o caminho das trevas.”
Questionado sobre como seria sua relação com outras instituições caso eleito, considerando as crises que ocorreram durante o mandato presidencial de seu pai, o senador respondeu que tentou construir pontes, mas que não houve “autocontenção” do Supremo Tribunal Federal.
“Quando isso não acontece, é outro poder externo que tem que fazer, no caso, o Senado. No que depender de mim, sempre vou buscar o diálogo. Vamos ganhar a eleição com o cérebro, não com o fígado”, disse.
Flávio se referiu ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pressionado por bolsonaristas a manifestar apoio mais enfático ao filho de Bolsonaro, como um “amigo”, e disse que ele “vai entrar de cabeça” em sua pré-campanha.
Ele também disse que respeita a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e afirmou que ela “ainda está pensando se vai entrar para a vida pública”. Michelle, que ainda não aderiu à pré-campanha do enteado, costumava ser citada como uma possível vice para uma chapa à Presidência encabeçada por Tarcísio.
Nesta quarta-feira, Flávio também visitou seu pai, preso na Papudinha, em Brasília. Segundo o senador, o encontro foi breve, apenas para dar um abraço. Em seguida, Flávio deve se reunir com Tarcísio nesta quinta-feira (12).
O governador, por sua vez, esteve em Brasília nesta quarta para reuniões com quatro ministros do STF (Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes) para tratar do Propag, programa de pagamento de dívidas dos estados. A expectativa de bolsonaristas, porém, era de que Tarcísio aproveitasse os encontros para reforçar o pedido de prisão domiciliar a Bolsonaro.
Também nesta quarta, a defesa de Bolsonaro voltou a pedir que Moraes conceda prisão domiciliar em caráter humanitário ao ex-presidente.
Sobre alianças, o senador disse que que os partidos do centrão não estarão com o PT. “Não estou cobrando tempo e não estou com pressa”, afirmou. Ele citou Ciro Nogueira, presidente do PP, e Antonio Rueda, à frente do União Brasil, como exemplos de líderes partidários com os quais tem tido “boas conversas”.
“Todo mundo estava apostando que Tarcísio seria o candidato apontado pelo presidente Bolsonaro”, disse Flávio, acrescentando que todos têm a preocupação de não perder as eleições para o PT, mas que sua pré-candidatura tem ido bem nas pesquisas. “Acho que neste momento já estou conseguindo mostrar que podem diminuir essa preocupação”, afirmou.
O senador participou do evento por videoconferência, por ter acabado de retornar de viagem internacional a países como Israel, Emirados Árabes, Bahrein e França, onde encontrou lideranças da ultradireita. Flávio disse que o “mundo árabe” poderia investir em infraestrutura e modernização de ferrovias, portos e aeroportos no Brasil, mas que não o fazem pela insegurança jurídica no país.
Flávio também minimizou a possibilidade de apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à sua provável candidatura. Trump é referência para os bolsonaristas, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que se autoexilou no país, tentou firmar diálogo com autoridades trumpistas para denunciar o que vê como abusos do Supremo.
“Não digo apoio porque não vai ter nenhum país interferindo em eleição no Brasil. Trump olha para o mundo colocando em primeiro lugar os interesses dos americanos”, disse o senador, em aparente tentativa de esvaziar o mote lulista de soberania nacional. Flávio afirmou que o presidente do Brasil também precisa nortear as relações internacionais de acordo com o que for melhor para os brasileiros.
“Tenho que sentar com Estados Unidos, China, Israel, mundo árabe. Só espero que Lula não tome uma cachaça antes de ir para um encontro como esse, fale abobrinhas e arrote sentimento anti-americano, em vez de defender interesses brasileiros”, completou o filho de Bolsonaro, novamente associando o presidente ao consumo excessivo de álcool, narrativa abraçada pela direita radical no Brasil.
No campo internacional, o senador também foi perguntado sobre o endosso ao governo de Nayib Bukele em El Salvador, onde esteve em novembro, considerando as denúncias de violações de direitos humanos no país.
Reverenciada pela direita bolsonarista pela política de segurança linha-dura, a gestão Bukele instaurou um regime de exceção que já dura mais de três anos e meio, prendeu milhares de inocentes, violou garantias constitucionais, perseguiu a imprensa e esvaziou a Suprema Corte.
“Se tem uma coisa que vou ser radical é a segurança pública. [Em El Salvador] vi violações de direitos humanos das vítimas dos ‘pandilleros’ [integrantes das gangues]. O Brasil precisa resgatar os territórios hoje dominados por organizações narcoterrriostas”, afirmou.
Flávio defendeu o endurecimento de penas, a construção de presídios e o investimento na educação básica na rede pública.
Perguntado sobre possíveis indicações para ministro da Fazenda, o senador disse que Mansueto Almeida e Roberto Campos Neto, nomes especulados pela imprensa, são “excepcionais”, mas que ainda não conversou com eles sobre a possibilidade. “Nome se vê lá na frente. Tem que ser no mínimo igual ao Paulo Guedes. Mas vai ser muito melhor que o [Fernando] Haddad.”
Por Folha de São Paulo




Publicar comentário