Erro no Enem 2025 leva Justiça a determinar reaplicação da prova para candidato com deficiência visual
Um erro na aplicação do Enem 2025 levou a Justiça Federal a determinar a reaplicação da prova para o estudante Alison Marques, de 31 anos, que é deficiente visual. Ele recebeu um caderno inadequado nos dois dias de exame, o que comprometeu seu desempenho.
ENTENDA
Alison se inscreveu regularmente no Enem com direito a recursos de acessibilidade, como ledor, tempo adicional e caderno específico com descrição de imagens. No entanto, nos dois dias de prova, recebeu um material sem descrição de gráficos, tabelas e figuras — essencial para candidatos cegos.
Segundo ele, sem essas descrições, a compreensão das questões ficou prejudicada. No primeiro dia, 53 questões tinham imagens sem explicação. No segundo, 77 das 90 dependiam de elementos visuais.
CONTEXTO
O edital do Enem prevê reaplicação em casos de erro na execução do exame que cause prejuízo ao candidato. Mesmo assim, o Inep negou o pedido administrativo de Alison, alegando que não houve “problema logístico”.
Diante da negativa, a família recorreu à Justiça Federal.
DECISÃO DA JUSTIÇA
Em liminar concedida no dia 11 de dezembro, o juiz federal Wilney Magno de Azevedo Silva reconheceu a falha do Inep. Para ele, houve violação ao direito à igualdade de oportunidades, garantido pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência.
A decisão determinou que o Inep:
• autorize imediatamente a reaplicação da prova
• inclua Alison na reaplicação do Enem 2025
• garanta o uso do Caderno do Ledor, com descrição completa das imagens
POR QUE ISSO IMPORTA
O caso expõe falhas graves na garantia de acessibilidade no principal exame do país. Sem o material correto, candidatos com deficiência não competem em igualdade de condições, o que fere a legislação brasileira e tratados internacionais.
ATRASO NA COMUNICAÇÃO
Apesar da liminar, o local da nova prova só foi informado à família na véspera da reaplicação, marcada para os dias 16 e 17 de dezembro. Procurado pelo G1, o Inep não respondeu até a última atualização.
Por Diário do Porto




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