“Ela dorme com a blusa da mãe todas as noites”, diz mãe de Raquel Cattani sobre a neta

O depoimento de Sandra Cattani no Tribunal do Júri revelou não apenas a dor de uma mãe que perdeu a filha de forma brutal, mas também o impacto silencioso e profundo do crime na vida das crianças que ficaram. Em meio aos relatos sobre a violência que tirou a vida de Raquel Cattani, uma imagem simples e devastadora tomou conta do plenário: a da neta que dorme todas as noites usando a blusa da mãe.
Segundo Sandra, a criança sabe que a mãe morreu, mas tenta manter a presença de Raquel por meio de pequenos gestos. Todas as noites, antes de dormir, pede para ver fotos e vídeos no celular. Em seguida, veste a blusa que pertenceu à mãe e se recusa a tirá-la. Para a avó, o ato representa uma tentativa de aliviar a saudade e lidar com uma ausência que ainda é difícil de compreender.
“Ela sente muita falta. É todos os dias”, relatou Sandra, emocionada, ao falar sobre a rotina da neta desde o crime.
A avó contou que os filhos de Raquel estão sob os cuidados da família e que demonstram constantemente a dor da perda. Eles falam da mãe, lembram das brincadeiras, da rotina e do carinho que recebiam. No caso da neta mais nova, o apego à blusa tornou-se um símbolo da ligação afetiva que permanece mesmo após a morte.
Sandra explicou que Raquel era extremamente presente na vida dos filhos, cuidava da casa, da produção rural e das crianças sozinha. A ausência deixou um vazio que se manifesta em atitudes simples, mas carregadas de significado, como o pedido diário para rever imagens da mãe e a necessidade de dormir com algo que ainda carrega o cheiro e a memória dela.
Durante o depoimento, a mãe de Raquel destacou que o crime não tirou apenas a vida da filha, mas também mudou para sempre a infância das crianças.
“Ele acabou com a vida dos filhos dela, tirou o direito de eles terem a mãe”, afirmou.
O relato sobre a neta dormindo com a blusa da mãe encerrou um dos momentos mais comoventes do julgamento. Longe de números, laudos ou versões jurídicas, a cena descrita por Sandra expôs de forma direta as consequências humanas de um crime que ultrapassa o ato violento e se prolonga diariamente na dor de quem ficou.
Por Regional News/Ana Flávia Moreira
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