Na sequência, o atacante dirigiu-se ao banco de reservas fazendo sinais que indicavam a possibilidade de deixar o campo. Nesse momento, o técnico José Mourinho se aproximou, o segurou e conversou com ele por alguns minutos. O camisa 7 do Real Madrid relatava sua versão dos fatos enquanto as imagens de televisão reprisavam o lance, mostrando Prestianni cobrindo a boca com a camisa antes de o brasileiro correr em direção ao árbitro.
“Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam colocar a camisa na boca para demonstrar como são fracos. Mas, eles têm, ao lado, proteção de outros que, teoricamente, têm a obrigação de punir. Nada do que aconteceu hoje é novidade na minha vida e da minha família”, escreveu o brasileiro nas redes sociais.
“Eu recebi cartão amarelo por comemorar um gol. Ainda sem entender o porquê disso. Do outro lado, apenas um protocolo mal executado e que de nada serviu. Não gosto de aparecer em situações como essa, ainda mais depois de uma grande vitória e que as manchetes têm que ser sobre o Real Madrid, mas é necessário”, acrescentou.
Logo após a partida, ao ser questionado sobre o episódio e sobre sua conversa com Vini, Mourinho se esquivou. “Uma coisa é o que o Vinícius diz, outra é o que o Prestianni diz, são versões completamente diferentes. Falei com o Vinicius, de forma independente, que quando um jogador faz um gol daqueles sai carregado nos ombros. Não se deve provocar o estádio nem mexer com o coração da torcida adversária”, afirmou o treinador português, que não estará à beira do gramado no segundo jogo porque acabou expulso.
Logo depois da conversa entre Vinicius e Mourinho, o árbitro fez o gesto em “X”, acionando o protocolo antirracismo da Uefa (União das Associações Europeias de Futebol). O insulto denunciado —também mencionado por Kylian Mbappé— teria sido a palavra “macaco”, de acordo com o jornal espanhol Marca.
Imagens de TV também flagraram o astro francês revoltado com o argentino “Você é um racista do caralho! Você é um racista do caralho!“, gritou repetidamente.
“Temos que dar o exemplo para todas as crianças que nos admiram; há coisas que não podemos aceitar. Não devemos generalizar”, disse Mbappé após o jogo. “Não podemos aceitar que um jogador que atua na principal competição europeia se comporte dessa maneira. Esse garoto não merece mais jogar na Liga dos Campeões, mas vamos ver o que acontece. Deixemos isso para a Uefa”, acrescentou.
Antes da retomada da partida, Vinicius voltou a falar com o árbitro e apontou para Prestianni ao relatar o episódio. Letexier interrompeu o jogo por alguns minutos, mas determinou o reinício sem aplicar outras sanções disciplinares.
Segundo o jornal português A bola, o brasileiro afirmou ao árbitro que foi chamado de “mono” (“macaco” em espanhol) pelo jogador argentino.
O técnico do Real Madrid, Álvaro Arbeloa, afirmou que “algo assim não pode acontecer em 2026”.
“Perguntei ao Vinícius se ele queria continuar jogando, porque precisamos estar ao lado dele. Somos um time, seguimos juntos. Somos um grupo unido e vamos lutar unidos”, acrescentou.
Na reta final do confronto, Vinicius também foi alvo de objetos arremessados pela torcida do Benfica enquanto se preparava para cobrar um escanteio.
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