Delegado afirma que Raquel disse: “Se acontecer alguma coisa comigo, foi ele”

O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri afirmou, durante depoimento no Tribunal do Júri, que a investigação identificou um histórico consistente de perseguição, controle e violência psicológica sofrida por Raquel Cattani antes de ser morta. Segundo ele, os comportamentos eram atribuídos a Romero Xavier Mengarde e vinham sendo relatados por pessoas próximas à vítima havia meses.
De acordo com o delegado, testemunhas relataram que, poucas semanas antes do homicídio, Raquel foi surpreendida pela presença inesperada de Romero no sítio dos pais, local onde ele não residia. A aparição ocorreu à noite e, conforme os relatos, causou choque e medo na vítima.
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Essas informações, segundo Negri, foram confirmadas por familiares e amigas de Raquel, que descreveram um comportamento obsessivo, marcado por vigilância constante, tentativas de controle e interesse excessivo sobre onde a vítima estava e com quem se relacionava.
Embora não haja registros de agressões físicas, o delegado destacou que o conjunto de depoimentos revelou um cenário de violência contínua.
“Trata-se de tortura psicológica”, afirmou, ao classificar a forma como Raquel era tratada ao longo dos anos. Segundo ele, a vítima vivia sob pressão emocional constante, com episódios de desrespeito, humilhações e agressividade verbal, o que também gerava reflexos diretos nos filhos.
Durante a oitiva, o delegado comentou ainda o depoimento de uma vizinha e confidente de Raquel, moradora do Pontal do Marapé, onde a vítima residia. Segundo Negri, a testemunha demonstrou convicção imediata ao apontar Romero como responsável pelo crime, chegando inclusive a xingá-lo no momento em que prestou esclarecimentos à polícia, o que chamou a atenção da equipe investigativa pela prontidão da acusação.
Outro ponto destacado pelo delegado foi um relato feito pela própria Raquel dias antes de ser morta. Segundo testemunha próxima, a vítima teria dito:
“Se acontecer alguma coisa comigo, foi ele, mas Deus não vai deixar.” Para o delegado, a frase revela um pressentimento claro e o medo vivido por Raquel diante do histórico de conflitos e do comportamento do ex-companheiro.
Negri explicou que esses depoimentos ajudaram a contextualizar o estado emocional da vítima e reforçaram a linha de investigação baseada em perseguição, controle e violência psicológica, elementos que antecederam o crime.
Sobre a dinâmica do homicídio, o delegado afirmou que a investigação conseguiu delimitar um intervalo de tempo extremamente curto para a execução do crime, estimado entre 10 e 15 minutos. O cálculo foi feito a partir do cruzamento de imagens de câmeras, registros de deslocamento, mensagens enviadas por Raquel a um amigo e dados telefônicos.
Segundo ele, após Raquel informar que havia chegado em casa, houve apenas uma resposta curta enviada do celular, o que indicaria que o aparelho já havia sido subtraído. A partir desse ponto, a polícia conseguiu estabelecer com precisão o período em que o crime ocorreu.
O delegado confirmou ainda que Romero sabia que Raquel viajaria no dia seguinte para participar de uma feira do setor de queijos, em razão de seu reconhecimento como produtora rural. Na avaliação da investigação, o fato de a vítima estar sozinha naquela noite e prestes a viajar pode ter representado uma “janela de oportunidade”, diante da dificuldade do réu em aceitar o fim do relacionamento.
Durante questionamentos da defesa, o delegado explicou que foi realizada a quebra de sigilo e extração de dados dos celulares dos réus. Segundo ele, a conversa considerada mais relevante para a investigação foi encontrada apenas no celular de Romero, embora haja registros de mensagens entre os irmãos em ambos os aparelhos. A ausência de um trecho específico no celular de Rodrigo, conforme esclareceu, pode ter ocorrido por questões técnicas na extração dos dados.
Encerrando o depoimento, Negri também esclareceu aspectos técnicos relacionados ao uso de redes de internet, afirmando que o endereço IP identificado no caso está vinculado à rede e à localidade, não a uma pessoa específica, e que, no caso, o IP estava relacionado à rede utilizada na residência de Raquel após o crime.
O depoimento do delegado reforçou a tese de que o homicídio foi precedido por um longo histórico de violência psicológica, controle e perseguição, elementos que, segundo a investigação, ajudam a compreender a motivação e a dinâmica do crime.
Por Ana Flávia Moreira/RBT NEWS
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