Defesa de Bolsonaro pede que Moraes autorize tratamento para quadro de soluços e ansiedade

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Foto:Jair Bolsonaro na saída do hospital DF Star, em Brasília – Evaristo Sá – 16.ago.25/AFP

 

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) pediu nesta sexta-feira (20) que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorize a entrada de um psicólogo para realizar tratamento para melhorar a qualidade do sono e tratar o quadro de soluços e de ansiedade e depressão do ex-presidente.

Os advogados solicitam que Ricardo Caiado, psicólogo e neurocientista, possa ir até a Papudinha, batalhão da Polícia Militar em Brasília, três vezes por semana, ao final do dia, para que Bolsonaro seja submetido a sessões de neuromodulação não invasiva por Estímulo Elétrico

Segundo o documento, Bolsonaro teve “melhoras perceptíveis” que melhoraram a qualidade do sono e interromperam os soluços quando ele passou pelo mesmo tratamento durante internação em abril de 2025.

“O tratamento prolongado, portanto, pode trazer significativa melhora para o quadro médico de multimorbidade já descrito e comprovado nos presentes autos”, argumenta. A defesa afirmou que o tratamento seria complementar aos remédios já tomados pelo ex-presidente.

A neuromodulação não invasiva é usada para alterar a atividade neural sem cirurgias ou implantes, por meio, por exemplo, de estímulos magnéticos ou elétricos. O método pode aliviar sintomas de quadros como dor crônica e transtornos psicológicos.

“Conforme laudo fornecido pelo Dr. Ricardo Caiado, trata-se de protocolo não invasivo que visa ‘a regulação funcional da atividade neurofisiológica central’, aplicado por meio de ‘clipes auriculares bilaterais’ enquanto o paciente permanece ‘em repouso consciente’, em sessões que duram entre 50 minuto e 1 hora”, diz o documento

Um laudo elaborado pela PF (Polícia Federal) no início de fevereiro apontou que é “inegável a presença de comorbidades crônicas”, como hipertensão, obesidade clínica, refluxo e apneia (pausa na respiração) obstrutiva do sono grave, na saúde de Bolsonaro.

O documento, apesar de ter descartado a necessidade de transferência para a prisão domiciliar, recomendou uma maior investigação do quadro neurológico do ex-presidente.

Também listou cuidados especiais como instalar grades de apoio nos corredores e no box de banho, instalar campainhas de emergência e equipamentos de monitoramento em tempo real na cela, seguir dieta prescrita por nutricionista, além de praticar atividade física e fisioterapia.

O pedido da defesa de Bolsonaro pelo tratamento foi feito no mesmo dia em que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou contra a concessão da prisão domiciliar para Bolsonaro. Caberá a Moraes decidir sobre o pedido.

Gonet reforçou o entendimento apresentado pela PF e afirmou que, embora o laudo da perícia tenha atestado uma “multiplicidade” de patologias, as doenças estão sob controle clínico e medicamentoso, não havendo necessidade de transferência para um hospital.

Por Folha de São Paulo

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