Após pedir criação de gabinete, Virginia Mendes detalha ações, fala das vítimas e afirma: “Não podemos esperar mais um dia”
A mobilização da primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (27), após o Governo do Estado acatar sua solicitação e anunciar a criação do Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres. A medida surge em meio a um cenário alarmante: 50 feminicídios registrados apenas em 2025, além do impacto profundo deixado pelos filhos que ficam órfãos — crianças e adolescentes que passam a carregar traumas, rupturas familiares e vulnerabilidades permanentes.
Mesmo em missão oficial fora do país, Virginia articulou as propostas diretamente com o governador Mauro Mendes e divulgou nas redes sociais um conjunto de ações que, segundo ela, representam “um passo histórico” na política de proteção às mulheres em Mato Grosso. Entre as medidas anunciadas estão: a implantação da disciplina “Combate à Violência Doméstica” na grade do Ensino Médio, o aumento do auxílio-moradia do SER Família Mulher de R$ 600 para R$ 800 a partir de 2026, e a publicação do Plano Estadual de Metas para o Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar.
Em entrevista exclusiva, concedida para esta reportagem, Virginia afirmou que seu movimento nasce de urgência e de dor. “O que mais me sensibilizou foi ver que, por trás de cada número, existe uma história que acabou de maneira cruel. São mães, filhas, mulheres cheias de sonhos. Cada vida perdida representa uma família destruída, e isso me dói profundamente como mulher e como mãe”, disse, ao comentar os 50 feminicídios deste ano. Para ela, as estatísticas não podem ser tratadas como abstração: “Não podíamos esperar mais um dia sequer”.
A proposta do gabinete, que dialoga diretamente com pedidos de organizações de mulheres e com o avanço de ações intersetoriais no país, busca criar um sistema permanente de monitoramento, resposta e integração. Virginia defende que políticas isoladas já não bastam: “Quando unimos forças, conseguimos cuidar de forma muito mais completa de cada mulher. A violência atinge a saúde, a renda, a dignidade, a educação dos filhos. Com todos os órgãos dialogando, compartilhando dados e atuando juntos, nós salvamos vidas”.
O impacto socioeconômico das vítimas, especialmente daquelas que fogem de suas casas com os filhos após agressões, fez com que ela priorizasse também o reforço do SER Família Mulher. Segundo a primeira-dama, o aumento no auxílio-moradia não é apenas um gesto de governo, mas uma ferramenta concreta para quebrar ciclos de violência. “Eu vejo todos os dias mulheres que não conseguem sair porque não têm para onde ir. O SER Família Mulher é dignidade, autonomia e segurança. Vidas dependem dessa rede”.
A inclusão do tema na grade escolar também faz parte de uma estratégia de longo prazo, segundo ela: “A violência nasce de padrões repetidos por gerações. Quando educamos nossos jovens sobre respeito, empatia e igualdade, mudamos o futuro”. O conteúdo será interdisciplinar e voltado tanto à prevenção quanto ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais.
Nas redes sociais, onde publicou cards explicando as medidas, Virginia reforçou que sua luta é contínua. “Enquanto houver uma mulher com medo, eu não estarei em paz”, escreveu. A publicação foi acompanhada de forte repercussão e apoio de lideranças políticas e da sociedade civil.
O gabinete, que aguarda formalização e estruturação, terá como atribuição coordenar ações já realizadas por secretarias como Setasc, Educação, Segurança Pública e Saúde, além de integrar dados, responder a emergências, acompanhar casos de risco e ampliar políticas de acolhimento. A expectativa do governo é que a nova estrutura permita respostas mais rápidas a mulheres ameaçadas — e aos filhos que dependem delas.
Com a criação do gabinete, o fortalecimento de programas já existentes e a incorporação da temática no currículo escolar, Mato Grosso dá início a uma nova etapa no enfrentamento à violência doméstica, amparada tanto pela pressão social quanto pela convicção emocional e política da primeira-dama. Para Virginia Mendes, o recado é único: “Seguimos unidas por proteção, respeito e vida”.




